Stieg Larsson pôs meio mundo do circuito literário ao rubro com a sua trilogia Millenium e depois morreu em 2004! A trilogia literária vendeu cerca de 12 milhões de livros no ano de 2009, tendo sido quase impossivel não ter visto os seus livros espalhados por tudo o que era sítio, livrarias, supermercados, fnac's e afins. A milhas de distância de Dan Brown, Larsson é um daqueles raros casos de um escritor que suscitou um autêntico hype mediático, sem ter escrito absolutamente nada de controverso que alimenta-se uma bem oleada campanha de marketing que "fez" o que é hoje Dan Brown.Pois bem, quando temos um best seller geralmente acabamos por vir a ter um filme, neste caso três, para ver se se consegue fazer render melhor o "peixe". Só que neste caso a "coisa" saiu bem melhor do que se estaria á espera, aliás corrigimos - "bastante bem melhor mesmo" - ao ponto de estarmos a falar de um excelente thriller, com sentido de estética apuradíssimo, uma fotografia exemplar sem ser mágnifica, um ritmo muito bem conseguido mesmo e uma adaptação, que segundo quem sabe, está do mais fiel possível á obra de Larsson. Com a mais valia de estarmos a falar de um filme sueco e como é lógico falado em sueco, facto que para aqueles mais ariscos a ver filmes que não sejam falados em inglês (claramente não é o nosso caso) não deverá ser uma justificação para passar ao lado desta obra.
O filme conta com sólidas representações, com especial foco para Noomi Rapace, simplesmente "brutal", sendo daqueles personagens á beira do abismo do over acting e do kitch (só pelo guarda roupa), mas que em momento algum se deixa cair nele. E como diz um grande realizador chamado John Woo - "os grandes autores e interpretes são aqueles que conseguem estar perto do abismo do rídiculo sem nunca cairem nele".
Ok! Não é uma obra prima, mas é um dos thrillers mais competentes e entusiasmantes que vimos nos últimos tempos.
Para breve "postaremos" a crítica ao segundo filme da trilogia já na calha para ver - "The Girl Who Played With Fire"



O filme está povoado por representações de excelência, com destaque pra Vicky Zhao Wei, que declarou em entrevistas que a tocante amargura de sua interpretação foi resultado de uma estratégia perigosa do realizador, em que durante as filmagens, que duraram 2 longos meses de inverno, tanto o realizador como a equipa simplesmente não davam minima atenção à actriz. Quando acabava de filmar as suas cenas, todos simplesmente a ignoravam. Vicky Zhao Wei caiu em depressão e foi necessária a presença da sua família nos sets para ter condições psicológicas de continuar as filmagens. Segundo as suas palavras, a dor da solidão foi tão grande que todas as lágrimas que vemos no filme são reais!
Na senda de visionar todos os vencedores dos prémios do cinema de Hong Kong de 2008, Painted Skin é um filme excelente a par com outro dos premiados já aqui revistos - The Beast Stalker - tendo sido um ano acima da média para o cinema asiático.
O filme é a primeira longa-metragem de ficção de Padilha, é inspirado no livro "Elite da Tropa", que narra cenas de violência e corrupção policial no Rio de Janeiro.