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quinta-feira, abril 01, 2010

The Girl With The Dragon Tattoo (2010)

Stieg Larsson pôs meio mundo do circuito literário ao rubro com a sua trilogia Millenium e depois morreu em 2004! A trilogia literária vendeu cerca de 12 milhões de livros no ano de 2009, tendo sido quase impossivel não ter visto os seus livros espalhados por tudo o que era sítio, livrarias, supermercados, fnac's e afins. A milhas de distância de Dan Brown, Larsson é um daqueles raros casos de um escritor que suscitou um autêntico hype mediático, sem ter escrito absolutamente nada de controverso que alimenta-se uma bem oleada campanha de marketing que "fez" o que é hoje Dan Brown.
Pois bem, quando temos um best seller geralmente acabamos por vir a ter um filme, neste caso três, para ver se se consegue fazer render melhor o "peixe". Só que neste caso a "coisa" saiu bem melhor do que se estaria á espera, aliás corrigimos - "bastante bem melhor mesmo" - ao ponto de estarmos a falar de um excelente thriller, com sentido de estética apuradíssimo, uma fotografia exemplar sem ser mágnifica, um ritmo muito bem conseguido mesmo e uma adaptação, que segundo quem sabe, está do mais fiel possível á obra de Larsson. Com a mais valia de estarmos a falar de um filme sueco e como é lógico falado em sueco, facto que para aqueles mais ariscos a ver filmes que não sejam falados em inglês (claramente não é o nosso caso) não deverá ser uma justificação para passar ao lado desta obra.
O filme conta com sólidas representações, com especial foco para Noomi Rapace, simplesmente "brutal", sendo daqueles personagens á beira do abismo do over acting e do kitch (só pelo guarda roupa), mas que em momento algum se deixa cair nele. E como diz um grande realizador chamado John Woo - "os grandes autores e interpretes são aqueles que conseguem estar perto do abismo do rídiculo sem nunca cairem nele".
Ok! Não é uma obra prima, mas é um dos thrillers mais competentes e entusiasmantes que vimos nos últimos tempos.
Para breve "postaremos" a crítica ao segundo filme da trilogia já na calha para ver - "The Girl Who Played With Fire"

sexta-feira, outubro 09, 2009

The Hurt Locker (2009)

The Hurt Locker é o novo filme da cineasta Kathryn Bigelow (Ruptura Explosiva e Estranhos Prazeres), ex-mulher de James Cameron e foi o grande vencedor do Leão de Ouro do festival de cinema de Veneza (melhor filme). É Uma invulgar abordagem cinematográfica da guerra, com o conflicto no Iraque como pano de fundo, em que se questiona o lado vicioso da batalha. Kathryn Bigelow filma o dia-a-dia de uma unidade de elite do Exército que desmantela bombas em Bagdad, penetrando na intimidade e na mente de homens que foram para a guerra como voluntários e para quem o campo de batalha tanto significa adrenalina, como atracção e vício. Um pelotão numa cidade de potenciais inimigos em que qualquer objecto pode ser uma bomba. E o perigo não está exclusivamente no campo de batalha nem o inimigo apenas do outro lado da barricada. Mark Boal, jornalista e argumentista, utiliza as suas próprias experiências ao lado de soldados americanos no Iraque para construir este argumento (como já tinha feito em "No Vale de Elah", de Paul Haggis).
É um filme visceralmente intenso que coloca o espectador sob tensão em cada frame e é sem dúvida o melhor filme de Bigelow até á data, ficando também este marcado pelo excelente desempenho de Jeremy Renner na pele do audaz (ou será inconsciente!) SSgt. William James, que desmantela bombas como quem vira Hamburgers num qualquer restaurante do McDonalds (sempre quisemes usar esta metafora!). Recomenda-se sem restrições.

quinta-feira, setembro 10, 2009

The Informers (2009)

The Informers cruza pequenas histórias ocorridas numa semana em Los Angeles em 1983, protagonizadas por executivos de cinema, estrelas de rock e outros seres moralmente duvidosos. Tudo cozinhado numa caldeirada de sexo, drogas e violência, mas muito qb caros leitores. O filme conta com competentes interpretações de Mickey Rourke e Kim Basinger e é baseado no romance homónimo de Bret Easton Ellis.
O filme é passado no inicio dos anos 80, e traz-nos um grupo de personagens que representam os pontos altos e baixos da sociedade da época, em histórias interligadas. The Informers é realizado por Gregor Jordan, e com argumento de Bret Easton Ellis e Nicholas Jarecki. O elenco conta com outros tantos ilustres tais como Billy Bob Thornton, uma retornada Winona Ryder, depois dos acessos de cleptomania e Jon Foster. Não sendo um retracto tão bem conseguido como foi American Psycho, muito por culpa de uma realização demasiado pretensiosa. Não obstante é um filme recomendável para quem saiba ao que vai e num marasmo pós verão soube bastante bem. Sem dúvida será um filme de culto daqui a uns bons anos.

sexta-feira, agosto 07, 2009

Painted Skin (2009)

Painted Skin é o filme mais recente de Donnie Yen, dirigido por Gordon Chan e também o candidacto oficial de Hong Kong a concurso para o oscar de melhor filme estrangeiro para 2009. Painted Skin é baseado no conto do homónimo do livro Estranhos Contos De Liao Zhai, um livro escrito por Pu Songling no fim do século XVII. Embora divulgado como um remake de Painted Skin dirigido por King Hu em 1993, o enredo detsa nova versão é consideravelmente diferente.
Wang Sheng (Chen Kun) é um general que, ao dizimar uma orde de bárbaros com seu exército, resgata das suas garras uma jovem prisioneira chamada Xiao Wei (Zhou Xun). Num misto de pena e desejo, Wang leva a bela jovem para casa sem saber que ela na verdade é demónio que precisa de se alimentar periodicamente de corações humanos para manter a aparência humana.
Por tal gesto heróico, Xiao Wei apaixona-se por Wang Sheng e deseja tornar-se a sua esposa. O problema é que Wang já é casado com Pei Rong (Vicky Zhao Wei), que por sua vez é um antigo amor de Pang Yong (Donnie Yen), um ex-general que é chamado de volta à cidade para investigar uma série de assassinatos cometidos por um outro demónio (Qi Yu Wu), que arranca corações para levar à sua amada Xiao Wei. Para auxiliar Pang Yong na caça ao assassino, entra em cena Xia Bing (Fearless), uma inexperiente caçadora de demónios. E mais não contamos!
Devido á temática do sobrenatural, Painted Skin é comumente classificado como um filme de horror, quando na verdade é uma envolvente história de amor, sendo um desfile de amores platónicos.

O filme está povoado por representações de excelência, com destaque pra Vicky Zhao Wei, que declarou em entrevistas que a tocante amargura de sua interpretação foi resultado de uma estratégia perigosa do realizador, em que durante as filmagens, que duraram 2 longos meses de inverno, tanto o realizador como a equipa simplesmente não davam minima atenção à actriz. Quando acabava de filmar as suas cenas, todos simplesmente a ignoravam. Vicky Zhao Wei caiu em depressão e foi necessária a presença da sua família nos sets para ter condições psicológicas de continuar as filmagens. Segundo as suas palavras, a dor da solidão foi tão grande que todas as lágrimas que vemos no filme são reais!

Na senda de visionar todos os vencedores dos prémios do cinema de Hong Kong de 2008, Painted Skin é um filme excelente a par com outro dos premiados já aqui revistos - The Beast Stalker - tendo sido um ano acima da média para o cinema asiático.

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

Muita Atenção a este Filme

Tropa de Elite foi o filme "murro no estômago" de 2007. O filme ambientado nas favelas do Rio de Janeiro, foi um fenómeno no país de origem por vários motivos: em primeiro lugar, porque praticamente todo o Brasil já teria visto o filme antes mesmo deste ter estreado, devido ás milhares de cópias piratas que eram vendidas então nas ruas do Rio; em segundo porque é um retrato duro das forças de segurança daquele país, tendo mesmo o filme sido acusado de ter uma ideologia fascista.
O filme "Tropa de Elite", de José Padilha (Onibus 174), foi premiado neste sábado no Festival de Berlim com o Urso de Ouro de melhor filme, durante a cerimônia de encerramento da 58ª edição da Berlinale.
O filme é a primeira longa-metragem de ficção de Padilha, é inspirado no livro "Elite da Tropa", que narra cenas de violência e corrupção policial no Rio de Janeiro.
Na ocasião da exibição do filme em Berlim, Padilha disse acreditar que os críticos estrangeiros que atribuíram ao filme um carácter fascista foram influenciados por colegas brasileiros que reprovaram "Tropa de Elite" desde a sua estreia no Brasil.
Sobre as resenhas publicadas na imprensa, o realizador afirmou: "Uns nos acharam inteligentes, outros fascistas. Na verdade, não me preocupo com isso".
Quando falou da reacção ao filme no Brasil, o cineasta disse durante o Festival: "Temos uma polícia muito corrupta e muito violenta. A população odeia a polícia, com boas razões. Acho que parte do público tomou o filme como uma vingança contra a polícia, o que foi difícil, porque vingança não é um bom sentimento." Ressalvou ainda que "tudo o que está no filme, acontece de facto", Padilha mencionou os traficantes brasileiros como violentos e cruéis. Para ele "já é hora de acabar com as categorizações entre direita e esquerda, porque o que interessa é o que está a acontecer".
Quando estrear por cá, e em virtude do sucesso de Cidade de Deus com temáticas similares, é bem provável que alguma distribuidora tenha olha para o fazer, é imperativo vê-lo e daí formularmos a nossa própria opinião.