quarta-feira, outubro 24, 2007

Dante 1.0 de Marc Caro

Marc Caro é um verdadeiro homem do renascimento, especialista nos mais variados ofícios, essenciais para a realização e produção de um filme. O argumentista (Delicatessen) , realizador (La Cité des enfants perdus), actor (Dobermann), director de arte (Alien 4), o animador de CG (Vidocq), editor de som e designer de produção (La Cité des enfants perdus); o homem já fez de tudo e pode se dizer que domino grande parte, se não todos, os ofícios acima descritos.

Com Dante 1.0, Caro regressa á cadeira do realizador, após 12 anos de outros ofícios igualmente ligados á meca do cinema. Este último filme do realizador promete ser visualmente deslumbrante, ou não fosse ele o responsável pelo look de Vidocq e La Cité des Enfants Perdus, conta uma história sci-fi, daquelas como já não se fazem.

No espaço profundo, nos confins da galáxia, um novo prisioneiro chega ao hospital psiquiátrico Dante 1.0. Este prisioneiro é o único sobrevivente de um encontro com uma força alienígena inimaginável...O resto será para descobrir.

A história parece simples, mas o cinema de Caro nunca foi de leitura fácil e directa, ao contrário do seu eterno parceiro no crime Jean Pierre Jeneut (O Fabuloso Destino de Amelie, Alien 4), com quem co-realizou o já anteriourmente referido "A Cidade das Crianças Perdidas".

quarta-feira, outubro 17, 2007

O regresso de "A" Gaja

Estamos muito contentes! Foi editado ontem o segundo album a solo da fabulosa Roisin Murphy, vocalista dos Moloko. Depois do triunfo que foi a sua colaboração com o mago Mathew Herbert, no primeiro album da cantora - Ruby Blue, Roisin regressa agora com Overpowered, um disco contagiante do principio ao fim, bastante mais acessivel do que o anteriour. A produção dos temas foi desenvolvida pela própria e por um fantástico naipe de produtores, se não vejamos: Andy Cato (Groove Armada), Jimmy Douglass (engenheiro de som de Timbaland, Rolling Stones e Missy Elliot), Mark Brydon (Moloko) e Richard X (Sugababes e Kelis).
Overpowered, segundo a crítica, é um all-killer-no-filler-electro-disco gem, ou seja traduzindo é um disco absolutamente frenético do princípio ao fim, imprevisível, com melodias orelhudas e produção fantástica. A crítica da BBC não deixa quaisquer dúvidas - "the best grown-up dance-pop album since Madonna's Ray of Light. Yep - that good. I hope Ireland doesn't get too offended if Britain comes to its senses and recognises Roisin Murphy as a National Treasure. No one makes music quite like her." O palhacinho anda agarrado ao disco e não larga.

terça-feira, outubro 16, 2007

O Julgamento será Julgado

É verdade! É muito raro falarmos aqui de cinema português, as razões poderiam ser as mais variadas e são na verdade subejamente conhecidas por todos. Críptico este último parágrafo não? Na realidade aquilo que assumidamente poderemos apontar como defeito do cinema lusitano, é a sua excessiva teatralidade e a falta de bons argumentos, salvo raras excepções (Os Imortais) e o seu afastamento face ao espectador.

Leonel Vieira é um dos poucos realizadores que aposta num cinema para o grande público, acessível, mas que em obras anterioures tem falhado redondamente, recordemos (ou não!) o desastre que foi A Bomba (2001).

O Julgamento será a sua sexta longa-metragem e apresenta-nos um thriller centrado em três velhos amigos que reencontram alguém que acreditam ser um antigo agente da PIDE responsável pela morte e tortura de um antigo companheiro nos anos 70. É vos familiar? A nós sim! Efectivamente, recuando ao ano de 1994, Roman Polanski realizou um filme chamado Death and the Maiden, adaptado da peça homónima de Ariel Dorfman, que contava a história de Paulina, uma mulher que após a queda da ditadura identifica pela voz o homem que a torturou e a violou, quando ela fazia militância política. Paulina decide então "julgá-lo", apesar dos protestos do marido, que considera sua atitude precipitada além do facto do acusado alegar inocência.

Não temos nada contra o facto do filme de Vieira ser um remake do filme de Polanski, que por bom sinal até o adapta á realidade hístórica portuguesa, muitos foram já os filmes que foram alvo de um remake em Hollywood (lembremos o premiado The Departed, remake do filme de Hong Kong Infernal Affairs). O que nos deixa com a pulga atrás da orelha é o não assumir o que é evidente, fazendo com que o fantasma de plágio paire sobre a obra.

No Internet Movie Data Base temos então:


Writing credits(in alphabetical order)
Izaías Almada (ideia)
Vicente Alves do Ó (argumento)
João Nunes (argumento)

Perante isto procede-se ao acto de julgar!

segunda-feira, outubro 15, 2007

R.I.P. Premiere

Foi com alguma surpresa que os cinéfilos portugueses tomaram conhecimento do último número da revista de cinema Premiere. A única revista de e sobre cinema em portugal fechou este mês as suas portas lançando o seu último número numa altura em que, segundo o seu director, se tinha atingido estabilidade com novos contratos publicitários, tendo sido um balde de água fria para a equipa que compõem a publicação. Apesar do acontecimento fatídico nem tudo é mau, uma vez que se mantém activo e online o blog, engenhosamente intitulado Deuxieme.
Sobre um novo projecto, eís o que os responsáveis têm a dizer:

"esse é objectivo de todos nós. As movimentações sucedem-se a cada dia que passa mas, para já, as coisas estão muito parecidas com o dia de ontem. Os contactos têm mostrado algumas portas, umas mais fáceis de abrir do que outras, no entanto, nada de novo surgiu. Pelos comentários aqui deixados, uma coisa é certa, existe lugar para uma revista de cinema no mercado. Que revista? Que projecto? Terá ele multi-plataformas? Sobre isso, ainda nada sabemos. Quando houver novidades, este blog será ainda mais eficaz do que a agência Lusa."

quarta-feira, outubro 10, 2007

SUKIYAKI WESTERN DJANGO

Já por aqui fizemos referência a uma das ultimas obras do mestre Takashi Miike (sim! "uma das últimas", porque o homem tem uma média de 4 filmes por ano, fora uma série para tv) que tem recebido criticas bastante positivas. Sukiyaki Western Django é apadrinhado pelo seu fã nº.1 aka Quentin Tarantino, o qual também faz uma perninha na fita, e é uma espécie de wetern spaghetti japonês, mas falado em inglês por actores japoneses que não sabem falar inglês. Confusos? Também nós! Nada de mais para aqueles que já estão habituados ao cinema psicótico-alucinado de Miike.
O filme foi totalmente rodado no japão, tendo o realizador (vá-se lá saber porquê) insistido que o filme fosse falado em inglês. Ora se vos dissermos que a maioria dos actores, que entram no filme, não sabem falar a dita lingua o caos estaria instalado, mas nada que um realizador prolífico e desenrascado como Miike não conseguisse resolver. O argumento foi escrito num inglês fonético (em português seria "Áu áre iu mai meite") de modo a facilitar o trabalho e evitar de ter de se mandar os actores todos para a escolinha. O resultado poderia ter sido desastroso, mas o facto é que não é, este é um dos melhores filmes do autor de Audiction desde o seu muito afamado Ichi The Killer. É um filme de um humor corrosivo, espertalhão, brutalmente violento e intencionalmente kitch.

É um filme que foi feito de propósito para ser uma obra de culto, e que surprendentemte o consegue ser a todos os niveis. Só não o tentem ver sem legendas, porque o pessoal aqui fala em inglês com sotaque nipónico, o que se torna um verdadeiro inferno descodificar o que eles dizem. O Trailer anda por aqui.

terça-feira, outubro 09, 2007

Esteta Impar no Reino dos Beats & Bits

Anders Trentemoller é um dos mais conceituados estetas musicais da ultima década, a par com Mathew Herbert. Escultor de melodias finas e batidas crocantes, Trentemoller lançou este ano o seu álbum de estreia que mostra a real amplitude do seu gosto musical. The Last Resort é absolutamente genial, trazendo influências dub, downtempo e neo-folk, sobretudo para ouvir em casa. Brilhante!

segunda-feira, outubro 08, 2007

Kevin Bacon becomes Charles Bronson

A lei do talião é uma das temáticas mais antigas da história do cinema. Escreve-se com inicial minúscula, pois não se trata, como muitos pensam, de nome próprio. Encerra a idéia de correspondência de correlação e semelhança entre o mal causado a alguém e o castigo imposto a quem o causou: para tal crime, tal e qual pena. Está no Direito hebraico o criminoso é punido taliter, ou seja, talmente, de maneira igual ao dano causado a outrem. São várias as obras de referência sobre o tema da vingança, mas poucas são aquelas dignas de receber menções honrosas, lembra-mos aqui a trilogia magnifica de Chan Park Wook (Sympathy for Mr. Vengeance, Oldboy e Lady Vengeance). A presente temática ganhou uma dimensão relevante durante os anos 70 nos E.U.A., um pouco devido á história vivida naquele país, ao crescendo da violência em cidades como Nova Iorque etc. Filmes como Death Wish (1974) que viria a revitalizar a carreira de Charles Bronson, mais conhecido em Portugal como O Justiceiro da Noite e as suas infindáveis sequelas, punham a tónica do herói no Homem normal, frágil, com defeitos, moralmente duvidoso, algo que até então nunca tinha existido no cinema americano. A marca dos anos 70 no cinema americano, é uma ruptura com as convenções da altura, com o facto de se estar a viver uma guerra que viria a ser perdida, e com o facto da meca do cinema, através de pequenos filmes (Massacre no Texas, The Hills Have Eyes), ter necessidade de mostrar a violência tal qual como ela é - fria - e nunca glorificada.
Anos mais tarde o ciclo retoma-se com a estreia de Saw, e o então pequeno estudio Lions Gate a posta num realizador desconhecido James Wan, e num filme de extrema violência gráfica. Novamente as portas abrem-se para filmes politicamente incorrectos, como Hostel, remakes de Texas Chainsaw Massacre e afins.

James Wan realiza assim o primeiro Saw, que temos que reconhecer é um bom thriller dentro do género, como não viamos á muito, e depois de um desastroso Dead Silence regressa agora com este Death Sentence, que é nada mais nada menos do que um remake do filme Death Wish com Charles Bronson. O trailer é muito forte e poderá ser uma surpresa!



Southland Tales - O Trailer

Já aqui falamos do novo filme de Richard Kelly que estará prestes a estrear no EUA. Depois de um screening desastroso na edição deste ano do festival de Cannes, o autor de Donnie Darko remontou e editou novamente o filme na tentativa de colmatar/evitar um possivel desastre. O trailer já anda a circular e podem velo aqui...medo!!!

sábado, setembro 29, 2007

Underworld Novo Disco

Os Underworld regressam com disco novo, passados 2000 dias do lançamento do album anterior. "Oblivion with Bells" é fortemente influenciado pelo universo do duo (Nick Drake, Def Mix, Ricardo Villalobos, Can, James Holden, Brian Eno). O primeiro single chama-se "Crocodile" e rezam as críticas que nunca a palete de som dos Underworld fora tão rica como agora.

segunda-feira, setembro 24, 2007

Posters Polacos

Nos anos 80, os estudios davam total liberdade para que cada pais elabora-se os posters dos filmes que iriam estrear. Deste modo, houve um país eximio na arte de elaborar posters de cinema - a polónia.
Poster do filme "Fim de Semana Com O Morto"
Os cartazes eram elaborados por designers, artistas plasticos e pintores, em que o que interessa é a arte do poster e nao o filme que este representa.
Ha! E já agora, o colecionador destas autênticas preciosidades é bom que esteja preparado para largar umas notas, senão vejamos: o 1º poster deste post é do filme Aeroplano de 1984 e custa a módica quantia de $120 (85€). Podem ver mais em aqui

Poster do filme "The Golden Child" com Eddie Murphy


sexta-feira, setembro 21, 2007

Onde Estamos?

Chama-se "Where we at" e é a colaboração entre Dixon, Henrik Schwarz, Derrick L Carter e Âme. Tem letra e voz do produtor Derrick L Carter, o que transforma e dá vida por completo a um instrumental do mais despido possivel. Um clássico imediato que vai ficar para a história da música electrónica. Para dançar e ouvir, não têm desculpa!!!
As I stop, and take the time
To inventory, the inside of my mind
I realize, it’s not as full as it used to be.
With images of justice, or desires of liberty
The world has changed, or is it me that’s new?
A different set of morale’s from a different set of clues
So still I wonder, is this all there is to life?
The ever changing cycles, in a world that’s damp and ripe
There must more, yah my heart I hold to this
I’ve enjoyed love and I’ve seen the peace and bliss
But as you know, all things must end, except the need for faith
And the spirit that’s within to keep you strong
Move forward with power, program yourself to feel
With depth enough to know what’s up and heart to sense the real
Where you at?

As I stop, for the frame we set aside
Below the baseline a secret place awaits for us to hide.
To pass the time as the war goes on-and-on.
A post-apocalyptic sunset, a post-apocalyptic dawn
Of just a though of the world we want possessed
A place that wasn’t honest was just a house with an address.
Of existence, wrought with fear and mistrust, a life inside a box
No life inside of us.
Find you soul, use your inner voice,
The road less traveled, is now the path of choice.
Realize, with time comes change
New attitudes, new values, priorities rearranged.
Move forward with power, program yourself to feel
With depth enough to know what’s up and heart to sense the real
Where you at?

Sondagem Blockbuster do verão 2007

Agora que o verão está prestes a chegar ao fim, decidimos eleger o blockbuster de verão 2007. A eleição vai decorrer até 21 de Outubro 2007, e podem desde já votar no Palhacinho do Demo Sondagens, enquanto o novo blog não fica pronto.

quarta-feira, setembro 19, 2007

Nova Cara do Palhaço Coming Soon

O Palhaço anda no Extreme Makeover! Não sabemos ainda quando estará pronto o novo rosto do blog, acreditamos que poderá demorar ainda algum tempo, por isso aqui fica um cheirinho de uma das remodelações do demo.

Comprometemo-nos a ir vos mostrando o work in progress.

Finalmente

Depois de anos de peditório, dos fãs incondicionais, para o lançamento de uma edição em dvd que dignificasse a obra prima de Ridley Scott, eis que é já no dia 18 de Dezembro que a dita sai. É uma edição comemorativa dos 25 anos do filme e serão lançadas simultâneamente 3 versões diferentes: uma edição de 2 discos, uma edição de 4 discos e uma mala com tudo o que um verdadeiro fanático tem direito.
Podem encontrar uma descrição exaustiva do conteúdo de todas as edições aqui.

A.D.D. aka After Donnie Darko

Depois do ovni arrebatador que foi Donnie Darko em 2001, realizado e escrito por um então virgem nas lides cinematográficas Richard Kelly, eis que 5 anos depois nos está preste a chegar Southland Tales. Segundo a crítica internacional, estamos perante um outro objecto voador não identificado, daqueles de por os cabelos em pé e não pelas melhores razões. Pelo que nos é dado a entender, é um filme que dividiu opiniões, de amor e ódio, pela sua temática politico-satirica, pela miscelânia de géneros - ficção ciêntifica, musical, comédia, thriller.
Concordamos que são raros os casos em que este "melting pot" funcione de forma eficaz, lembramo-nos de um perfeito exemplo - "Save the Green Planet" - do sul coreano Joon-Hwan Jang, que consegue com o seu primeiro filme aquilo que poucos conseguiram - coesão.
Apesar do elenco de peso da nova obra de Richard kelly (Sarah Michelle Gellar, Wayne "The Rock" Johnson, Justin Timberlake, Jon Lovitz, etc.), o filme viria a sofrer com as suas constantes e infinitas restruturações, com os 160 minutos de duração, etc.
Sinopse: O filme passa-se em 2008. Após um ataque atómico aos EUA que causa uma seca de gasolina, é inventado um combustível chamado "fluido karma", que aproveita a energia das ondas do mar, mas leva à alteração do equilíbrio do eixo de rotação da Terra e acaba por abrir uma fenda na continuidade espácio-temporal.
Aqui no Palhaço somos fãs de Kelly, vamos esperar para ver o que ele engendrou para as nossas cabeças. Aguarda Absolvição!!!

terça-feira, setembro 18, 2007

Dark Knight Coming Soon

Será só para o dia 18 de julho de 2008 que teremos a estreia da muito aguardada sequela de Batman Begins. O filme chama-se The Dark Knight e conta com o elenco já conhecido do seu antecessor, excepto Katie Holmes (ao que parece as pressões do maridão não surtiram efeito), e com novas aquisições como Maggie Gyllenhaal, Aaron Eckhart, Anthony Michael Hall, Heath Ledger e muitos outros.
Deixamo-vos com o novo Joker aka Heath Ledger (Brokeback Mountain). Medo, muito medo!!!

sexta-feira, setembro 14, 2007

O Regresso de David Cronenberg

Depois do filme "History of Violence", baseado na graphic novel homónima de John Wagner e Vince Locke, David Cronenberg regressa novamente acompanhado de Vigo Mortensen e com a preciosa ajuda de outros dois excelentes actores, o francês Vincent Cassel e a aussie girl Naomi Watts. A história gira á volta do crime organizado russo cediado em Londres.
Ainda sem estreia agendada para Portugal, como é costume. Só esperemos que não tenha o mesmo destino de History of Violence, tendo estreado "meses, meses e meses..." depois do RESTO DO MUNDO.



quarta-feira, setembro 12, 2007

Hard Boiled

John Woo nasceu a 1 de Maio de 1946 no sul da China, tendo iniciado a sua carreira como assistente de realização para os estúdios Shaw Brothers de Hong Kong em 1969. O seu primeiro filme data de 1973, tendo se tornado um realizador prolífico nos mais variados géneros.

Estávamos no ano de 1986 quando em parceria com um então jovem produtor Tsui Hark (Legend of Zu), John Woo realizou aquele que se tornaria o seu tour de force. O filme "A Better Tomorrow" defeniu desde muito cedo a imagem de marca do realizador, que com ele encontrou o seu actor fetiche Chow Yun Fat.
Por outro lado, a industria cinematográfica de Hong Kong nos anos 80 passava na altura por uma crise de valores, na qual o mercado era inundado por filmes maioritariamente de artes marciais, onde o argumento era factor menor e a matéria e a imagética da encenação da acção se evidenciava. Era comum existir uma linha de orientação dramática muitas das vezes esquelética, para não dizer inexistente, que ao longo da execução de um filme se ia moldando á cinestesia acrobática dos movimentos dos actores. Com isto os clássicos temas do cinema asiático como a vingança e a traição, eram reduzidos á encenação anti-gravitacional dos corpos.
Estávamos então no ano de 1992, quando John Woo estreia aquele que é ainda hoje uma referência para tudo o que é cinema de Hong Kong. Hard Boiled é um dos melhores filmes de acção de sempre, com o actor fetiche do realizador Chow Yun Fat, que incorpora um personagem larger than life – Tequilla – sempre de fósforo ao canto da boca, nunca recarregando as armas e com um Ego maior que o mundo. O actor Anthony Leung (In the Mood for Love, 2046) desempenha o papel do polícia infiltrado numa tríade (lembra-vos alguma coisa?), e que conjuntamente com Tequilla vão formar a dupla mais improvável da história do cinema de HK.

Esta obra de referência do cineasta é detentora de todas as suas afamadas marcas de autor, pode inclusivé assumir-se como um filme síntese do periodo de HK de John Woo, faz a fusão de tudo o que se passava então no cinema asiático, com o seu universo e as suas referências, por onde povoam Jean Pierre Mellville, David Lean, Sam Peckinpah, John Ford e os bailados dos musicais como "West Side Story"; sendo a música substituida pelo barulho das armas.

Woo encena a acção como se de um musical se tratasse. Assim, o sapateado de Fred Astair é substituido pelos movimentos graciosos de Chow Yun Fat quando este dispara duas 9mm ao mesmo tempo; a introdução de personagens com uma dualidade interna (Anthony Leung) em que o bem e o mal se confundem; as gabardines, os óculos escuros e o fósforo ao canto da boca ao estilo de Humphrey Bogart; a desconstrução balética da acção que inspirou Matrix; e finalmente a ruptura com a imagem de marca dos filmes made in HK. Até que ponto Hard Boiled é relevante para a história do cinema asiático? Bem digamos que sem a obra de Woo, conjuntamente com o seu outro filme A Better Tomorrow, não haveria o seu equivalente contemporâneo Infernal Affairs.

A Nova Edição em DVD da Dragon Dinasty é remasterizada e restaurada, repõe a faixa áudio em cantonês DTS e 5.1, ao invés da tenebrosa dobragem em inglês das anterioures edições. Tem um conjunto de bons extras, de onde se realça um documentário de 40 minutos com Johnn Woo himself. Absolutamente Ifernal !!!

O Ódio

Andava um dos vossos palhaços a deambular pela Fnac, e eis que redescobre a edição em DVD do assombroso "La Haine" do então estreante Mathieu Kassovitz. Muito já se falou deste filme, aquando da sua estreia em 1995, mas esta edição em dvd comemorativa dos 10 anos do filme traz-nos uma mão cheia de extras. Em primeiro lugar e o mais importante, o preço na Fnac ser os 10€, por outro lado o facto de ser uma edição dupla traz material suplementar ao kilo, mas num bom sentido. Assim, temos direito a um documentário de mais de uma hora chamado "10 anos depois do ódio", trailers do filme, documentários making off, os castings efectuados aos actores escolhidos para o filme, storyboards, etc etc etc.
Para aqueles que nunca descobriram O Ódio (salvo seja) aqui têm uma oportunidade única de o fazer, com uma qualidade de imagem fantástica para um filme absolutamente avassalador. Infernal !!!

sexta-feira, setembro 07, 2007

Discos Na Forja


A dupla de productores alemães Booka Shade, responsáveis pelos êxitos body language, mandarin girl e in white rooms, regressa desta vez ao leme dos pratos para mais uma compilação da já conhecida série Dj Kicks. Estes senhores resolveram compilar o velho com o novo, que vai desde Yazoo, passando por John Carpenter (esse mesmo o realizador) e pelos próprios Booka Shade com dois temas inéditos. Saí a 22 de Outubro. Infernal !!!!!

É o regresso há já muito aguardado de Felix da Housecat com um novo album - Virgo Blaktro And The Movie Disco. Simplesmente fabuloso e em grande forma, depois das aventuras duvidosas com P. Diddy. Infernal !!!
É o regresso também da cantora britânica de origem Tamil (Sri Lanka), com o novo albúm Kala. Depois do grande Hype á volta da sau primeira aventura Arular, este é um disco mais equilibrado e que reforça o cult status da vocalista. Infernal !!!

Henrik Schwarz foi uma das grandes revelações de 2006. Sendo dj há vários anos, fez uma pausa na sua carreira para se dedicar à sua formação no design e começou há poucos anos a remisturar algumas músicas que foram captando a atenção de nomes como Jazzanova ou Gilles Peterson, até que no ano passado lançou a música que seria a sua consagração “leave my head alone brain”.
Os seus temas incorporam tanto de maquinal como de orgânico sendo descritos como um grupo de músicos de jazz a improvisarem techno de Detroit, dançáveis e hipnóticos. Um dos pioneiros a usar um laptop nos seus sets os seus live acts são já lendários.
Depois da Infernal e assombrosa compilação para a dj kicks (ouçam por favor), edita agora um cd de uma das suas live sessions. Infernal !!!

sexta-feira, agosto 24, 2007

Maestro dos Pratos

Este é talvez um dos melhores (arriscamos mesmo a dizer o melhor) discos de verão, para festas que primem pela diferença, para ouvir em casa, no carro, no ipod, onde e como quiserem. É simplesmente fabulosa a forma como Steffen Berkhahn aka Dj Dixon sequencia e mistura os 14 temas desta compilação da não menos fabulosa editora Get Physical. Poderiamos perder todo o tempo do universo a tecer fortes elogios a este senhor e ás suas ecléticas escolhas musicais, mas saberiam sempre a pouco.
Aqui fica o conselho do palhaço para deitarem as mãos imediatamente, já, agora e depressa ao "Body language Vol.4" de Dixon. Só para os verdadeiros aventureiros...

terça-feira, julho 03, 2007

Grindhouse

(Palhacinho as seen and very much approved)
Grindhouse is the latest film by Quentin Tarantino, a celebration if not culmination of his lifetime love for B-, C- and Z-grade exploitation movies. A groundbreaking co-production with longtime creative partner Robert Rodriguez, the anthology aims to recall the low budget double-feature format pioneered in the 1960s and '70s, but update its formulas with modern-day money and technical know-how. While this appears to have liberated Rodriguez, a director who has toiled for more than a decade in otherwise overdressed genre pictures, it curiously has exposed Tarantino's filmmaking Achilles' heel -- namely, his inability to distinguish when that celebration of movie magic interferes with a well-told tale.
At the same time, there are so many amazing and innovative ideas in Tarantino's pastiche-cum-homage that it's hard to hold his section in too low regard, particularly given its wealth of breathtaking action sequences and one particularly powerful performance. So even if Rodriguez' effort surpasses his headliner's by an outright star or so, this tribute to cinema's exploitative dregs is some of the most dynamic and engaging filmmaking produced in years.At three-plus hours, Grindhouse is comprised of two short films, Planet Terror and Death Proof, which are connected by a series of fake trailers shot by industry colleagues like Eli Roth (Hostel) and Edgar Wright (Shaun of the Dead). Rodriguez' Planet Terror is presented first, presumably because he is the lesser-known of the two directors, but his proves to be the better movie and more faithful interpretation of the grindhouse "ethos." In the film, Freddy Rodriguez (Lady in the Water) plays Wray, a traveler with a shady past who becomes the unlikely savior for a band of survivors when the rest of humanity succumbs to a mysterious disease that turns them into zombies.

With Planet Terror, Robert Rodriguez hasn't merely paid homage to the zombie flicks and John Carpenter movies that inspired his filmmaking career, but fulfilled his potential as both a technical and emotional storyteller. Where previously he dazzled audiences with visually stunning but emotionally bereft tales, he has synthesized thought and feeling in one of the most unexpectedly satisfying films of the year -- one so spectacular, in fact, that it could and should easily stand on its own without the need for the grindhouse context. As Grindhouse's anchor and what one hopes will be vindicated as the "A" picture against Tarantino's b-movie follow-up, Planet Terror is Rodriguez' best film to date and an unequivocal masterpiece of celebratory schlock.




quinta-feira, junho 28, 2007

Tarantino vs Takashi Miike

Here are a couple of looks at Japanese horror master Takashi Miike’s upcoming Japanese Western “Sukiyaki Western Django”, which was shot entirely in English, and even features a cameo appearance by Miike pal Quentin Tarantino. So what’s it about? “Set during “The Genpei Wars” at the end of the 1100s, the Minamoto and Taira gangs face off in a town named Yuda, while a deadly gunman (Ito Hideaki) comes to the aid of the townsfolk.” Sounds a lot like Sergio Leone’s “A Fistful of Dollars”, aka Akira Kurosawa’s “Yojimbo”, aka Dashiell Hammett’s “Red Harvest”. Then again, I could be wrong.

Billed as “Japan’s first true Western” and shot entirely in English (an interesting turn, given that Miike doesn’t speak the language himself), the film stars Hideaki (PYROKINESIS) Ito, Koichi Sato, Yuseke Useya, Masanobu Ando and Kaori (MEMOIRS OF A GEISHA) Momoi (with whom Tarantino shares his scenes). The title’s a nod to one of the most famous of Italy’s spaghetti Westerns of the 1960s, in which Franco Nero played the title role.

quarta-feira, junho 27, 2007

Batman e a Carripana Nova




A Carripana Nova...

Prince of Persia vai ao Cine


Robert Sanchez over at IESB.net shared the scoop, naming Bay as director on the Jerry Bruckheimer-produced project and confirming a projected summer 2009 release date. IESB also points out that the Bay-Bruckheimer alliance has produced past blockbusters like "The Rock," "Armageddon," and both "Bad Boys," meaning this "Prince" will surely be as big as they come.


The film is adapted from the "Prince of Persia: Sands of Time" video game, and will follow the titular hero, "an adventurous prince who teams up with a rival princess to stop an angry ruler from unleashing a sandstorm that could destroy the world" (per IMDB). According to the report, studio heads hope that Bay will head to work on "Persia" as soon as he's done with a little summer project about warring robots. Script comes courtesy of video game creator Jordan Mechner, who also wrote the three installments of the game series; Jeffrey Nachmanoff ("The Day After Tomorrow") also worked on revisions.


Jerry Bruckheimer has been busy as of late with his Pirates franchise and his countless hit TV shows but still he has been working hard to get other film franchises off the ground. The IESB can exclusively report that his upcoming film, Prince of Persia: The Sands of Time, has found a director and a release date!
So I am sure you are wondering by now who Jerry has tapped to direct the adaptation of the best selling video game, right?
Bruckheimer has teamed up with him in the past to bring you Bad Boys I and II, The Rock, Pearl Harbor and Armageddon. Yes, that's right, Michael Bay is directing Prince of Persia: The Sands of Time for a Summer release.
The IESB was able to confirm with Disney Studios that they are hopeful that Michael Bay will indeed direct the picture right after he is done with this Summer blockbuster, Transformers.
You might remember a couple of years ago when we confirmed that Bay was behind Transformers just as he was finishing The Island. So now, just as he is finishing up Transformers, we are announcing that he will in fact be behind Bruckheimer Prince of Persia: The Sands of Time.
This feature film adaptation is “based on the video game, which follows an adventurous prince who teams up with a rival princess to stop an angry ruler from unleashing a sandstorm that could destroy the world.
The original creator of the game, Jordan Mechner, has said that "Rather than do a straight beat-for-beat adaptation of the new videogame, we're taking some cool elements from the game and using them to craft a new story - much as 'Pirates' [of the Caribbean] did with the theme park ride."
Mechner wrote the first draft of the screenplay for the feature film with subsequent drafts by Jeffrey Nachmanoff.

A Branca Acorrentada


Black Snake Moan employs a provocative story premise - a black man chaining up a young white woman - to tell an intelligent and quite sweet story about a relationship between two wounded souls. It's a little like the 2002 bondage drama Secretary in that way - that film was a touching love story that happened to be between two people who liked kinky sex. There's no sex between Lazarus and Rae. This is not the Russ Meyer remake of Jungle Fever the posters are suggesting! Rae comes on to him like she does to every man but he's too kind-hearted to take advantage of her. The film does suggest at times that he may be punishing her as a substitute for his errant wife but for all his flaws, Lazarus is a good guy. And Rae is genuinely disturbed, a woman with a self-destructive need to be used and abused by men. So this is a bit more complex than the average Hollywood relationship drama, however it's not an arty psycho-drama any more than it's soft porn. Black Snake Moan is a character drama that's funny, good-natured, occasionally shocking but always entertaining. Gifted writer-director Craig Brewer, who won some acclaim for Hustle And Flow, takes some pretty twisted subject matter and finds the humour and the humanity in it. It's simultaneously taboo-breaking, thoughtful and fun.


I'd go as far as to say Black Snake Moan is the best film I've seen so far in 2007. It engaged me like nothing else I've watched this year. I do worry that the advertising material, cool as it looks, is drawing in a crowd that won't get what it expects and will put off many people who would appreciate the film. This is not a shameless attempt to whip up a controversy. While Christina Ricci stripped to her panties is not exactly unpleasant to look at for two hours, this isn't really a sexy film (she's also bruised and bloody for much of that time). Ignore the posters and teasers and give this a try and you'll find a warm and sensitive character drama that has more in common with Of Mice And Men than Faster Pussycat! Kill! Kill!

O Regresso da Noiva


Ever since 2005, writer/director Quentin Tarantino has been promising that "Kill Bill: The Whole Bloody Affair" would see the light of day and even mentioned releasing it theatrically with an NC-17 rating. For those who don't remember, The Whole Bloody Affair was meant to be both Kill Bill films put together with some additional/alternate footage including The Bride slicing through the House of Blue Leaves in full color (as it was released overseas). Well, according to Amazon.com, we may actually see this release happen. "Kill Bill: The Whole Bloody Affair" is now listed for DVD release on November 6th of this year by Genius Products/Weinstein Company. All that is known about the release right now is, the running time will be 247 minutes and will include 4 discs. Knowing Tarantino, it is hard to say how much this release will change or if it will even change at all but no matter what happens, it better be worth the wait.

terça-feira, setembro 19, 2006

THE HOST (palhacinho approved)

Depois de ter sido muito bem recebido na Quinzena dos Realizadores em Cannes, exibido em duas sessões esgotadas, «The Host» estreou na Coreia do Sul com um número record de cópias (620) e a arrasar nas bilheteiras. À data da escrita deste texto era de prever que se viesse a tornar o filme sul-coreano mais bem sucedido de sempre, destronando «The King and the Clown» (2005).
Conforme seria de esperar do realizador de «Barking Dogs Never Bite» (2000) e «Memories of Murder» (2003), dois títulos de referência do mais recente cinema coreano, «The Host» não é um banal filme de género, ainda que siga algumas regras e convenções — afinal, continua a ser sobre um monstro mutante que se alimenta de humanos.
O modo como se mostra a criatura diverge da generalidade das obras de género, que optariam por obscurecê-la durante boa parte do filme, focando mais os resultados (cadáveres, autópsias, etc.) do que o agente responsável pelas mortes. A súbita investida do monstro, em plena luz do dia, traz consigo uma intensidade difícil de replicar nos casos em que o terror é doseado, obedecendo a “regras” de escrita de guiões.
Outra peculiaridade é um avanço da narrativa que não procura finais grandiosos, difíceis de contornar em obras de grande orçamento. Vamos escusar-nos de entrar em descrições pormenorizadas, como é natural, mas digamos que a criatura não sobe, qual King Kong, ao topo do 63 Building (o edifício mais alto de Seul), apesar de andar lá por perto, nem entra pelo maior centro comercial do mundo adentro, no dia da sua inauguração.
Bong Jun-ho coloca o foco na família Park e nas suas relações internas. As personagens são convincentes e nunca se nos aferem como escritas para suportar os actos da criatura voraz. O drama resulta e a audiência comove-se, por vezes (também registei o testemunho de alguém que tinha pena do monstro — que, coitado, tal como nós, come para viver — mas diria que se trata de uma excepção).
Há humor que raia a paródia, como na peça noticiosa em que a entrevistada é filmada por debaixo da mesa (para ser mantida no anonimato), ou nos momentos de pânico que se geram na rua quando se teme o contágio pelo vírus. Tal como nos seus filmes anteriores, Bong lida com notável eficiência com a mistura dos vários registos: acção, terror, drama, comédia.
A personagem de Song Kang-ho é outra face desta convivência de registos: é um sujeito lento, distraído, adormece onde calha; um tolo e um embaraço aos olhos dos irmãos, com o pai sempre a tentar desculpá-lo. Provoca gargalhadas na audiência, mesmo quando tem de enfrentar a criatura que levou aquilo que tinha de mais precioso — a filha.
O subtexto político foi desvalorizado pelo realizador que o remete para um mero ingrediente do género. É verdade que não é raro que mesmo filmes americanos culpem o governo ou os militares pela criação de mutações ou de zombies, mas a crítica ao “colonialismo” dos EUA não deixa de se registar em «The Host». Acresce que a cena de abertura foi inspirada num caso real em que um funcionário da morgue de uma base militar americana ordenou o despejo de químicos no Rio Han.
Os efeitos especiais, produzidos por estúdios na Nova Zelândia (Weta Workshop), EUA (The Orphanage) e Austrália (Creature Workshop), são, de um modo geral, eficientes, ainda que alguns planos, sobretudo na parte final, sejam menos satisfatórios. No entanto, a tensão e, por vezes, o terror produzem quase sempre os resultados pretendidos, algo que não é fácil com imagem digital. Um dos trunfos é, certamente, o design do monstro — que Bong pretendeu mais realista do que “espectacular” —, aliado ao talento de um dos mais notáveis realizadores coreanos.
Pode ser já um cliché dizer que «The Host» é mais o drama de uma família do que um “filme de monstros”, mas tal não deixa de ser verdade e é um dos seus êxitos; é a luta de uma família para se manter unida depois do ataque inesperado de uma criatura mutante e não um blockbuster com um monstro de apetite insaciável perseguindo personagens reduzidas a acompanhamentos.
in Cinedie Asia