terça-feira, julho 23, 2013

Only God Forgives (2013)

Bem...Hmmm! Como é que vamos mesmo começar a escrever sobre o novo filme de Nicolas Winding Refn? A obra do realizador começa com um par de filmes surpreendentes do ponto de vista plástico, mas também ao nível do seu argumento, "Bronson" foi um filme que pôs no mapa realizador e um magnifico actor chamado Tom Hardy, posteriormente "Valhalla Rising" conferiu-lhe estatuto de realizador de culto, mas foi anos mais tarde com o filme "Drive" que Nicolas Winding Refn se afirma definitivamente. Drive é um remake do filme homónimo datado dos anos 70, onde tudo foi estudado ao mais ínfimo pormenor, passando pela estética, direcção de arte e direcção de actores, sendo neste último campo que se ressalva a importância e a mestria na contensão do actor Ryan Gosling.
O ano de 2013 marca o regresso de Nicolas Refn com novo filme - "Only God Forgives" - fazendo-se recorrer novamente de Gosling, mas com muita água à mistura. Only God Forgives é um filme mediano, tecnicamente de encher o olho, completamente vazio, niilista, com um Ryan Gosling em piloto automático, com muito pouco diálogo (Gosling mal a abre a boca durante o filme todo) e extremamente violento. Ao nível da violência gráfica estamos no campo da violência pura e gratuita e sem substância dramática que a justifique.
Voltemos então ao inicio do nosso "pequeno" texto, porque também não há muito mais para escrever. Então recordemos - Como é que vamos mesmo começar a escrever sobre o novo filme de Nicolas Winding Refn? Bem! Com um profundo silêncio e espaço em branco. 

quarta-feira, julho 17, 2013

Shogun Assassin (1980)

Quando a soma das partes é simultaneamente melhor e diferente do que o todo. Poderia ser este o título de mais uma crítica cinematográfica do Palhacinho do Demo, mas optamos por lhe dar o nome do filme que estreou em 1980 nos EUA, realizado/editado por um senhor chamado Robert Houston. O paradoxo de Shogun Assassin tem origem no facto do seu realizador não o ter dirigido, mas sim ter recorrido simplesmente à sua montagem e edição. Confusos? Pois bem, a nossa história de hoje começa no papel, mais concretamente no Manga criado pelo escritor Kazuo Koike e pelo ilustrador Goseki Kojima, ao qual foi dado o nome de Lone Wolf and Cub e que viria a ser adaptado para cinema nos anos 60 no Japão. A história deu origem a 6 filmes niponicos, tendo os primeiro dois sido adquiridos para o mercado norte americano por Robert Houston, que numa atitude tipicamente americana, decidiu pegar nos dois primeiros filmes, editá-los, adicionando uma voz off e transformando todo o material num filme único ao qual chamou Shogun Assassin, numa espécie de remix flick dobrado em inglês.
A ideia mirabolante teria tudo para correr mal e para se tornar num objecto atroz, mas vá se lá saber porquê a "coisa" resultou, por incrível que pareça. Shogun Assassin é uma montanha russa impiedosa com muita tinta vermelha à mistura, é incrivelmente melhor que os originais e é um dos poucos casos em que a dobragem eleva o filme para uma dimensão completamente diferente.
A história é simples, temos um samurai que serve um senhor feudal, este por seu lado enlouquece e o samurai insurge-se, como consequência o senhor feudal manda matar o dito mais a família. A tentativa sai gorada, apenas tendo sido assassinada a mulher do nosso herói, que foge com o filho, não sem antes matar um número incontável de tipos pelo caminho e jurar vingança. A história é do mais simples que existe, mas ganha contornos épicos com algumas cenas clássicas, como aquela em que o nosso herói dá a escolher ao filho, que ainda mal gatinha, o caminho da paz ou do inferno, colocando à sua frente um sabre e uma bola de brincar, para que ele escolha o caminho que quer seguir. Claro está que o petiz toca na espada e lá vão pai e filho pelo mundo a matar tipos até chegar ao big boss.
É um grande filme, será mesmo impossível alguém ficar indiferente aos 80 minutos alucinantes de uma das inspirações de Quentin Tarantino quando fez Kill Bill, o que inclusive está implícita na cena em que a filha da heroína de Kill Bill pede à mãe para verem juntas Shogun Assassin.  
E tal como está escrito no cartaz do filme de facto "It´s impossible to keep a body count"

sexta-feira, abril 05, 2013

The Grandmaster (2013)

Wong Kar Wai é um dos realizadores asiáticos mais amados no ocidente, sobretudo na Europa, onde tem feito tudo por tudo para que a estreia dos seus filmes seja feita quase sempre em Cannes. Fortemente inspirado pela nouvelle vague do cinema francês dos anos 60, os seus filmes falam simultaneamente de tudo e de nada, por vezes parece filmar o acaso, o que deriva da génese do seu método. A sua metodologia é fruto de anos de trabalho e de experiência, mas também do risco, consiste no facto dos argumentos escritos por si estarem única e exclusivamente em sua posse, sendo dado muito pouco a conhecer aos actores que dirige - o actor tem de encontrar o personagem e sobretudo encontrar-se a si próprio. Por esta razão, existe um núcleo duro de actores equipa técnica que se repetem em praticamente todos os filmes de Wong Kar Wai, são conhecedores do seu método, idolatram o autor e estão dispostos a estarem meses a fio a rodar. É um realizador com um elevado hiato de tempo entre filmes e que tem a liberdade de rodar o tempo que quiser e com direito ao Santo Graal da meca do cinema - o final cut. Por estas e tantas outras razões, qualquer filme de Wong Kar Wai é um acontecimento por si só.
The Grandmaster é um trabalho de amor, teve uma preparação de 4 anos, tempo necessário aos actores para aprenderem as bases de Kung Fu (recomenda-se o visionamento do making of no youtube) e é inspirado na vida do mestre Yip Man, figura incontornável na história da arte marcial Wing Chun (uma variante do kung fu) e mestre de Bruce Lee. O filme demorou uma eternidade a rodar, como em todos os filmes do realizador e o resultado final é um assombro. 
The Grandmaster não é a primeira incursão nos meandros do Wu Xia (designação para filmes de artes marcias), em Ashes of Time já tinha abordado o género, mas aqui a abordagem era metafísica, focando-se o argumento numa análise profunda sobre a relação tempo vs espaço. Em Grandmaster o foco é dado à arte marcial e tudo o que está por detrás da mesma, o verdadeiro objectivo de Kar Wai é abordar conceitos como a honra, disciplina, lealdade e a sempre presente história de amor não consumada (imagem de marca do autor).
As sequências de acção, e sim é o filme mais enérgico e movimentado do realizador, são magistrais e têm a coreografia do mestre Yuen Woo Ping, são filmadas de forma espectacular, como autênticos bailados por vezes quase anti-gravitacionais cheios de simbolismo.
A fotografia está entregue ao francês Phillipe Le Sourd e é de uma sumptuosidade levada ao extremo, nomeadamente por ser um filme que se movimenta na penumbra, onde os tons negros contrastam com uma ténue luz.
The Grandmaster é um filme magnifico, de uma grande beleza e é talvez o filme mais linear do realizador, mais fácil de acompanhar para os iniciados no seu mundo tão particular e único. Recomenda-se vivamente com a esperança de haver estreia em Portugal, pois merece ser visto no grande ecrã. 

terça-feira, janeiro 29, 2013

Luther

Comecemos por constatar que a caixa mágica anda bem mais interessante do que o grande ecrã, mas se pensarmos nas séries da BBC One, bem aqui a história é bastante diferente, estamos a falar do "interessante" ao nível da estratosfera. Existe algo de bastante peculiar na produção de séries como Sherlock, onde o típico formato do conceito de season com os seus 12 a 24 episódios não tem lugar, aqui existe uma clara aposta no conteúdo, na história, economia de argumento e na honestidade de não encher chouriços com episódios sem importância ou relevância dramática. Luther é uma dessas séries, diríamos mesmo é "A" série mais inteligente, subversiva, perversa e surpreendente dos últimos anos.
Luther é também um grande actor britânico chamado Idris Elba, que parte para os EUA no inicio dos anos 90, está cerca de 4 anos à procura de trabalho como actor, para entrar numa série de referência chamada The Wire, da corpo e alma à personagem de um traficante de droga durante 3 anos, foi tão convincente que só na terceira ronda de casting os produtores descobriram que o actor era britânico; recentemente dá um enorme salto e  entra em filmes como Prometheus e mais recentemente foi lhe entregue o papel principal no próximo filme de Guillermo del Toro - Pacific Rim. A resumida história do actor tem um papel preponderante para percebermos que gosta de correr riscos, sendo já depois de ter feito filmes como Thor, ou Prometheus de Ridley Scott, que lê o argumento de Luther e decide fazer a pequena série no seu pais de origem. A aposta foi mais do que ganha, Idris Elba cria um personagem complexa de culto imediato, que tem já uma enorme legião de fãs, ganhou este ano um globo de ouro como melhor actor de uma série dramática.
Estamos perante algo de genuinamente fresco, que reescreve as regras da mais comum série policial e que irá sem dúvida nenhuma deixar uma enorme marca no panorama televisivo.

quinta-feira, janeiro 17, 2013

Argo (2012)

Depois de ver o novo filme de Ben Affleck ficamos com duas ideias distintas, por um lado fez muito bem ao actor/realizador a "caminhada no deserto" que teve de enfrentar após um par de maus filmes enquanto actor, ou como George Clooney gosta de chamar "movie jail", onde também permaneceu algum tempo após o atroz Batman & Robin. Consequentemente ficamos com a ideia, como já acontecera com outros, que de um actor mediano poderá nascer um realizador surpreendentemente competente e quem sabe "bom".
A carreira de realizador de Ben Affleck é ainda curta, mas fulminante, com filmes como Gone Baby Gone, The Town e agora com Argo. As influências são muitas, mas ao vermos filmes como The Town possuido pelo espírito de Michael Mann, ou mesmo o Eastwoodiano Gone Baby Gone, ficamos com a sensação de Affleck estar à procura de uma voz, de um estilo próprio que até agora continua por encontrar, no entanto uma coisa é certa o género de eleição até à data é o thriller/crime movie.
Argo é um objecto extremamente curioso, indo beber inspiração aos filmes da década de 70, onde o logo inicial da Warner Brothers típico da època começa logo a ditar as regras, onde o fantasma de filmes como os Homens do Presidente, Os Três Dias do Condor e Dia de Cão estão omnipresentes. A grande surpresa em Argo resulta de uma fusão sublime de géneros, extremamente e competentemente bem equilibrada, passando do thriller político para uma sátira feita à meca do cinema e por momentos de comédia hilariantes. Argo è também um filme sobre cinema, sobre os bastidores do cinema, a fazer lembrar por vezes Walking The Dog de Barry Levinson, sem nunca se comprometer com nenhum género em particular mas sim pulando   e alternando entre cada um deles.
É um filme absolutamente recomendável de um realizador que cresce de filme para filme, a fazer lembrar o inicio da carreira de Clint Eastwood enquanto realizador.        

terça-feira, janeiro 08, 2013

Django Unchained (2012)

A história dos EUA não se fez com a maior das diplomacias, fez-se com sangue! É curioso que uma das maiores potências mundiais tenha uma das mais curtas histórias de que há memória, o novo mundo como outrora o chamaram é um país de contrastes, onde algumas das ideias e sentimentos que povoam o filme de Tarantino ainda persistem na penumbra. É do conhecimento comum para o mais comum dos americanos, que o Sul não é tão livre como outros estados norte-americanos do norte, costa este ou oeste. E é aqui que o filme de QT se torna um objecto interessante, de uma coragem brutal, propondo-se a falar sobre algo que ainda persiste veladamente na história americana, e é aqui que surge o maior elo de ligação entre Django Unchained e Inglorious Basterds. É fácil "samplar" o típico filme de guerra dos anos 60/70, é relativamente fácil abordar o tema holocausto baralhando as cartas e voltando a dar sob a forma de um objecto lúdico, sem melindrar as vítimas do mesmo. É que aqui existe um distanciamento critico, o mal vem de fora, de uma outra nação, sob a forma de um Hitler ridicularizado, ao passo que em Django o mal está no seio da nação americana, sob a forma da escravidão. Nos dias que correm e com tudo o que vem acontecendo no mundo, com filmes que retratam a perseguição e o abate de Bin Ladden, é raro e corajoso ver um realizador americano colocar o dedo na ferida, é normal que isso incomode personalidades como Spike Lee, mas se tivermos que esperar alguma coisa de Quentin Tarantino é o inesperado.
Django Unchained é talvez o filme mais linear de QT, uma enorme homenagem ao western spaghetti e a cineastas como Sergio Leone e Sergio Corbucci, é uma ode ao sampling cinematográfico de género, é o equilibrio perfeito entre um mais pausado Inglorious Basterds e um furioso Kill Bill, contando com representações memoráveis tais como um DiCaprio a rebentar a escala e o inspiradíssimo Christopher Waltz. 
Há cinco anos atrás QT referiu-se ao filme da seguinte forma: “Quero criar filmes que lidem com o horrível passado de escravatura da América, mas fazê-los como western spaghetti (...) enfrentarão tudo aquilo com que a América nunca se defrontou por sentir vergonha".
Para o Palhacinho do Demo é o melhor filme de 2012.     

domingo, maio 01, 2011

The Mute Orchestra (2011)

O capitulo da Mute Orchestra está encerrado. Fica aqui o album duplo da Mute Orchestra é só clicarem na imagem.

quarta-feira, abril 20, 2011

Remember Traxx ? (2011)

Uma homenagem á editora discográfica Traxx Records, pioneira na música electrónica norte americana (para "obter" é clicarem na foto). Segue-se a reedição do album duplo da mute orchestra com cerca de 30 faixas.

segunda-feira, dezembro 27, 2010

Albuns do Ano

Aqui ficam as nossas escolhas para discos do ano 2010, sem nenhuma ordem em especial:

Jamie Lidell - Compass
The Roots - How I Got Over
John Legend & The Roots — Wake Up!
Lindstrøm & Christabelle - Real Life Is No Cool
James Blake - James Blake
Carlos do Carmo & Bernardo Sassetti

quinta-feira, novembro 11, 2010

The American (2010)

Num ano em que as grandes surpresas cinematográficas têm sido difinitivamente guardadas para o fim, eis que nos chega um pequeno "G"rande filme chamado The American.
Desde John Ford, o anti-herói do cinema americano consiste num protagonista parco em palavras, sombrio, misterioso e que, embora pareça agir com boas intenções, é sempre de moral duvidosa, uma vez que esse anti-heroi é simultâneamente um matador. O veneradíssimo cineasta italiano Sérgio Leone é citado em The American, isto porque foi talvez ele o criador da concepção mais mítica do anti-herói através da personagem do "homem sem nome", interpretado pelo impassível Clint Eastwood.
Em The American, o assassino solitário interpretado pelo genial "George-vai ser nomeado ao Oscar-Clooney" também não tem nome e identidade definida, por vezes é chamado de Jack, ou também Edward. Diz-se movido por boas causas, mas sabe que Deus não se importa com ele. Se o anti-herói tradicional se mantém na zona cinzenta entre o bem e o mal, logo na abertura do filme na sequência pré-genérico, Jack/Clooney choca-nos com o seu lado maligno e perverso. Após o prólogo, o arrependimento acompanhará o personagem durante toda a sua nova missão. Estamos perante um thriller soberbo, a fazer lembrar alguns grandes filmes de Jean Pierre Melville (Le Cercle Rouge), mas também nos é contada uma história de redenção e de uma culpa, que contamina Jack/Edward como se de um vírus se tratasse. Nesta perspectiva pesa a importância de personagens do filme, como um padre e uma prostituta, através das quais Jack/Edward tentará lidar com os seus sentimentos.
O realizador Anton Corbijn, responsável pelo inferior Control (2007), prima por uma composição económica e precisa, com um ritmo que toma o seu tempo sem grandes pressas e aproveitando a luz natural da paisagem bucólica da região montanhosa italiana de Abruzzo. Corbijn minimiza os diálogos e busca o mais no menos de cada personagem. As perseguições e tiroteios estão longe de um inspirado John Woo, reduzindo-se à essência de cada cena e qual a importância da acção para servir a história.
Homenagem sentida a Sergio Leone, suspense digno de John Frankenheimer, fotografia pastel e soturna à Michelangelo Antonioni e uma atmosfera sofisticada e cool à altura de Jean-Pierre Melville, The American é a par com Social Network, um dos grandes filmes do ano, nós diriamos mesmo que lhe é superior e será sem dúvida alguma um dos grandes filmes de culto da década. E sim! Clooney é assombroso no filme.

terça-feira, novembro 02, 2010

The Social Network (2010)

The Social Network não é um filme sobre geeks, não é um filme sobre código, algorítmos ou mesmo génios informáticos. The Social Network é um filme (supostamente) acerca da persona conturbada de Mark Zuckerberg.
Confessamos que conheciamos muito pouco acerca da história da génese do Facebook e quando descobrimos que o genial David Fincher estaria encarregue de transpor o feito para o grande ecrã, mais curiosos ficamos. Mas afinal o que é que esta história teria de tão interessante para que o obsessivo Fincher abraçasse o projecto? Pois bem, o projecto avançou e temos um grande filme baseado ou não em factos veridicos e aqui Zuckerberg já veio desmentir parte dos acontecimentos, ou pelo menos a forma como é retratado no filme. Mas e se de facto o que vemos no ecrã é algo próximo da realidade? E se...? A ser verdade os factos que nos são relatados estamos perante uma utupia absolutamente fascinante, isto porque Mark Zuckerberg é retratado como uma pessoa profundamente egocêntrica, narcísista, com uma incapacidade vincada em estabelecer e manter relações interpessoais e sobretudo uma pessoa profundamente solitária. A ser verdade tudo isto então partimos de uma permissa interessantíssima, em que a pessoa responsável pela criação de uma das maiores e mais bem sucedidas redes socias é uma pessoa com uma profunda incapacidade em se relacionar no real com o outro, ou seja estamos perante uma aplicação do seu modelo relacional ao nível do contexto de uma rede social de nome Facebook. No Facebook existe uma superficialidade ao nível da relação com o outro. Ok! descobrimos os colegas de escola que não viamos á dezenas de anos, descobrimos os colegas de trabalho com os quais perdemos contacto, dizemos "Olá tudo bem há quanto tempo!" mas a maioria destes contactos não passam da virtualidade do ecrã e este já era o mundo em que Mark Z. vivia antes da crianção do Facebook. Um mundo em que a única forma que encontra de dizer o que sente á ex-namorada não é dizê-lo face a face, como ela tem a coragem de o fazer, mas sim de escrever no seu blog (pré-facebook).
The Social Network é sobretudo uma história sobre a alienação do social, daqueles que o rodeiam, mesmo os mais próximos, do corrompimento das relações e da promíscuidade das mesmas. E no final o nosso herói acaba sozinho numa sala com o seu laptop como companhia e a adicionar uma pessoa como amiga no seu facebook...e constantemente a fazer "refresh" na esperança que a pessoa (realmente importante para ele) o aceite como "amigo".
Estamos perante mais um triunfo de David Fincher, mas também ao nível do argumento, fotografia e música esta a cargo de Trent Reznor (Nine Inch Nails). Recomenda-se vivamente.

segunda-feira, outubro 11, 2010

The Disappearance of Alice Creed (2010)

The Disappearance of Alice Creed apanhou o universo do cinema britânico completamente desprevenido, não só pelo brilhantismo do argumento e uma inspiradíssima direcção de actores, mas sobretudo por uma actriz chamada Gemma Arterton. Curiosamente Gemma inicia a sua carreira como bond girl em Quantum Solace e recentemente passou por Prince Of Persia e Clash of The Titans, mas é sem dúvida em Alice Creed que ela demonstra excelentes potencialidades dramáticas.
O filme conta a história de um rapto, passando-se todo o desenrolar de acontecimentos entre quatro paredes, num ambiente opressivo, cláustrofóbico e ameaçador, sendo a sequência inicial do filme a dar a tonalidade e pondo logo as cartas em cima da mesa para que não haja dúvidas do que nos espera ao longo de hora e meia. Dois homens numa loja compram corda, pás, material de construção, de seguida somos empurrados para uma casa onde abunda a luz, mas que rapidamente começa a desvanecer á medida que os dois homens tapam janelas e forram as paredes com material isolante. A casa transform-se perante os nossos olhos num bunker, onde não há janelas e as portas estão "forradas" a cadeados e ferrolhos. Uma mulher é raptada, posta dentro de uma carrinha e levada para a dita casa, onde é amarrada a uma cama para logo de seguida os dois homens lhe cortarem e tirarem toda a ropa que trás vestida. A mulher agora despida é fotografada com um jornal, é amordaçada e deixada assim em cima da cama.
Caros Leitores é aqui que vos dizemos: "Endireitem as cadeiras e apertem os cintos de segurança" porque estamos perante um twist de argumento em cada esquina, onde este é sobretudo um filme de aparências e o final....ah! o final é qualquer coisa de sublime! Estamos a ver a história de uma mulher que é raptada ou outra coisa?
É sem dúvida uma das grandes surpresas do ano, um filme que muito provavelmente nunca irá estrear nas nossas salas de cinema e irá directamente para mercado de dvd (se é que já não foi).

quarta-feira, setembro 08, 2010

Dracula - Prince of Darkness (1966)

Dracula - Prince of Darkness foi o terceiro filme de série produzido pela Hammer, que totalizou oito filmes.
O filme possui todos os elementos típicos dos melhores e mais interessantes filmes dos anos 60 da Hammer, não faltando os típicos aldeões nada hospitaleiros mas muito supersticiosos, uma floresta negra, um castelo imponente de arquitetura gótica, vitimas mais curiosas que inteligentes e um destemido caçador de vampiros, desta vez na figura de um monge que mais parece um mercenário.
A Dracula - Prince of Darkness também foram atríbuidos vários outros nomes alternativos, como "Disciple of Dracula", "Revenge of Dracula", "The Bloody Scream of Dracula" e "Dracula 3". Este último nome foi criado em função de ser o terceiro filme da série com o vampiro Drácula da Hammer, precedido por Horror of Dracula (1958) e de The Brides of Dracula (1960), e sucedido por mais cinco filmes, Dracula Has Risen From the Grave (1968), Taste the Blood of Dracula (1970), Scars of Dracula (1970), Dracula AD (1972) e The Satanic Rites of Dracula (1973). Em todos os filmes o papel do temível vampiro ficou a cargo do fantástico Christopher Lee, com excepção de The Brides of Dracula, onde o papel ficou a cargo de David Peel.
Um dos aspectos curiosos do filme foi o facto de Cristopher Lee não ter gostado do guião escrito por Jimmy Sangster, a partir de uma história do produtor Anthony Hinds. Tanto que para evitar a possibilidade de uma repercussão insatisfatória do seu personagem no publico em geral, viria a pedir que a sua participação fosse absolutamente muda, ou seja, o vampiro não diz uma única palavra no filme inteiro e somente entra em cena após quase cinquenta minutos de filme. Um outro facto curioso foi que para economizar nos custos de produção, a Hammer filmou o filme em simultaneo com Rasputin: The Mad Monk, utilizando os mesmos cenários e o elenco principal: Christopher Lee, Barbara Shelley, Suzan Farmer e Francis Matthews.

quarta-feira, agosto 25, 2010

The Nanny (1965)

Esta semana continuamos á descoberta dos filmes da Hammer Studios, contidos na Ultimate Collectors Box Edition e diga-se de passagem que dos dois já visionados, nenhum caiu em saco roto. Tivemos o assombroso The Devil Rides Out e a grandiosa surpresa chamada The Nanny.
The Nanny (1965) é uma adaptação do livro escrito por Marryam Modell e foi realizado por Seth Holt. Este foi o primeiro de dois filmes que a fabulosa Bette Davis viria a fazer com a lendário estúdio inglês Hammer, mais conhecido por clássicos de série B. O segundo filme de Bette Davis com o estúdio foi The Anniversary (1968).
Mesmo tendo sido lançado após o sucesso de Hush... Hush... Sweet Charlotte (1964), Bette Davis já estava numa fase de declínio onde os papéis que lhe eram atríbuidos já não eram tão bons e as suas participações, segundo dizem, eram aceites pelo número de cenas em que aparecia e não pela importância da personagem interpretada. Mas mesmo assim, o profissionalismo e a técnica da actriz eram irrepreensíveis e mais que suficientes para elevar a qualidade de qualquer produção desse mesmo período. The Nanny (1965) tinha tudo para ser um filme tipico de série B, mas a representação de Bette Davis, principalmente quando junto com William Dix, transformam as cenas num drama psicológico de uma tensão assoladora.
A história conta que depois de passar dois anos num colégio interno/reformatório devido a um acidente em que supostamente afogou a sua irmã menor na banheira, Joey de 10 anos (William Dix), volta para casa e o que os seus pais, Virginia e Bill querem é o regresso á normalidade no seio familiar. No entanto, pouco tempo depois, suspeitas ressurgem novamente em volta do pequeno Joey, quando a sua mãe é envenenada, mas Joey insiste que teria sido a Ama (Bette Davis) a responsável, uma senhora amável que trabalhara há anos para a família e que teria sido também a Ama da mãe dos menores.
Sem ninguém que acredite nele, Joey vê a sua Ama como outra pessoa, como alguém que ele também acredita ser a responsável pela morte da sua irmã.
A gestão da tensão, imbutida pelo brilhante argumento, é algo de fabuloso e anos de luz á frente do que era feito até então dentro do género e atrevemo-nos mesmo a dizer que mesmo vendo hoje o filme pela primeira vez, 45 anos depois, este continua a ser algo de absolutamente supreendente. Nunca sabemos até ao final se estamos perante ideações paranóides ou ideias persecutórias por parte da criança, ou se na realidade a Ama é o mal personificado.
Enormissimo aplauso em pé para Bette Davis, para um jovem actor de nome William Dix e para o realizador Seth Holt. Imperdível

sexta-feira, agosto 20, 2010

Black Swan (2010)

A tripulação de bordo pede aos passageiros que endireitem as cadeiras, apertem os cintos, recolham os tabuleiros porque a viagem irá ser atribulada, muitos poços de ar, percas de pressão, voos razantes e turbulencia.
O novo filme de Daren Aronofsky estreia em breve e já anda a ser elevado a filme de culto. Descubram-no.

quarta-feira, agosto 18, 2010

The Devil Rides Out (1968)

The Devil Rides Out, também conhecido como The Devil's Bride, foi um dos grandes sucessos dos estúdios Hammer, baseado no best seller de Dennis Wheatley de 1934. O argumento do filme, dirigido pelo mestre Terence Fisher, é uma adaptação bastante fiél ao livro, com as filmagens a terem o seu inicio nos estúdios a 7 de Agosto de 1967. A rodagem do filme durou cerca de um mês e chegou aos EUA com o título "The Devil's Bride" a 18 de dezembro de 1968.
Terence Fisher conseguiu com este seu filme uma fotografia extremamente apurada, uma excelente direcção de arte, uma atenção ao detalhe bastante acima da média do que era então produzido e sobretudo a grande mais valia é sem dúvida o grande Christopher Lee, inclusivé o filme foi feito porque Lee foi o grande impulsionador da idéia de passar para a tela a obra de Dennis Wheatley.
Ainda nos dias de hoje, sempre que Christopher Lee fala sobre o seu periodo na Hammer, considera este filme o seu favorito e declarou por diversas vezes de que gostaria de ver um remake da produção com ele mesmo no papel de um Duc de Richleau (personagem interpretada por Lee no filme), mas mais maduro.

terça-feira, agosto 17, 2010

The Hammer Collection Boxset (1960-1970)

Os estudios Hammer nasceram em 1948 e foram fundados por Will Hammer e Sir John Carreras, dentro da lógica de que os filmes de terror fantástico deveriam ser de entretenimento, contando uma boa história. Esta lógica seria defendida por Carreras e quase que referendada por Hammer. Apesar dos orçamentos baixos, o estúdio lançou filmes dentro dos típicos padrões de Hollywood dos anos 50, mas assumindo uma tradição que vinha do teatro inglês e francês, principalmente com base no Théâtre Grand Guignol, de Paris.
No entanto, viria a ser a televisão quem, indirectamente, faria com que os Hammer Studios tivesse os seus primeiro sucessos. A televisão britanica produziu na década de 50 uma série de ficção-científica chamado The Quatermass Experiment, baseada no personagem Bernard Quatermass, ciêntista que enviara um foguete para o espaço e quando este regressou, trouxe uma forma de vida alienígena que tomou conta do corpo do astronauta enviado para comandar a missão. A Hammer fez um versão cinematográfica da série, The Quatermass Xperiment, em 1955, logo seguido de sequelas: X the Unknown, de 1956; Quatermass II, de 1957. O sucesso destes filmes e dos monstros alienígenas que eles apresentavam estimulou o estúdio a investir no cinema fantástico/horror/sci fi. Um dos acontecimentos que jogaria a favor da explosão da Hammer foi o facto da Universal Pictures estar a abrandar a sua produção de filmes de terror, dando a oportunidade á Hammer em fazer um acordo com o estúdio norte-americano conseguindo os direitos de Frankenstein e Drácula. Para grande surpresa surpresa dos mundo do cinema e da própria Hammer, o filme The Course of Frankenstein (dirigido por Terence Fisher, com guião de Jimmy Sangster e com participações de dois actores até então desconhecidos Peter Cushing e Christopher Lee) tornou-se um inusitado sucesso de bilheterias. Filmado em Technicolor, o filme mostrou o personagem de Mary Shelley como nunca tinha sido visto até então: com cores e bastante violência. Os Est+udios Hammer utilizavam praticamente sempre a mesma equipa técnica e de actores, filmavam vários filmes em simultaneo e de uma destas produções (junto com a Universal, que, além de financiar metade do filme, fazia a distribuição internacional) nasce o filme Horror of Dracula, fazendo um sucesso ainda maior do que seu antecessor e imortalizou Christopher Lee como o segundo grande Drácula do cinema (o primeiro tinha sido o eterno Bela Lugosi). A partir destes dois filmes, a Hammer nunca mais parou de produzir e fazer sucesso. Com histórias simples, aproveitando-se da imagem popular dos personagens de terror, usando habilmente as cores e o sexo (as mulheres eram escolhidas pela sua beleza, sensualidade e seios grandes, sendo que quase sempre eram vestidas com roupas de decotes bastante generosos). Christopher Lee faria várias vezes o personagem Drácula e Peter Cushing seria conhecido como o seu eterno nemesis - Van Helsing.
A Hammer Collection Boxset é uma edição em DVD absolutamente fabulosa. Contém cerca de 21 DVD, nos quais estão armazenados os 21 clássicos dos estúdios Hammer, com uma mão cheia de extras (documentários/trailers/comentários aúdio), fazendo-se menção honrosa ao filme The Nanny, disponível pela primeira vez em formato digital. A box contém: 'Blood From The Mummies Tomb', 'Demons Of The Mind', 'The Devil Rides Out', 'Viking Queen', 'Dracula, Prince Of Darkness', 'Fear In The Night', 'Frankenstein Created Women', 'The Horror Of Frankenstein', 'The Nanny', 'One Million Years BC', 'The Plague Of The Zombies', 'Prehistoric Women', 'Quartermass And The Pit', 'Rasputin The Mad Monk', 'The Reptile', 'The Scars Of Dracula', 'SHE', 'To The Devil A Daughter', 'The Vengeance Of SHE', 'Straight On Till Morning' and 'The Witches'. Absolutamente imperdível.
A primeira crítica de uma série que iremos fazer, será do filme The Devil Rides Out (1968), também conhecido por The Devil's Bride.

quinta-feira, agosto 12, 2010

Christine (1983)

Nasceu em Detroit - esta é talvez a melhor forma de descrever o ínicio de um dos grandes filmes de John Carpenter, adaptado de uma obra de Stephen King. Forjado numa linha de montagem de automóveis. Mas não é um carro qualquer. No interior do seu chassi esconde-se o próprio diabo. Christine - um Playmouth Fury de 1958 -, vermelho e branco, tem um insaciável desejo de vingança, capaz de gelar o sangue a qualquer um e de destruir todo aquele que se mete no seu caminho. Seduz Arnie Cunningham (Keith Gordon ), um rapaz de 17 anos, apaixonado por aquelas linhas estilizadas e curvilíneas, como se de uma mulher se tratasse. O automóvel exige uma devoção absoluta e incondicional, e se alguém tentar intervir, a morte é certa.
O cinema a partir de meados da década de 70 começou a ser invadido com filmes que visavam um filão recém-descoberto que renderia muito dinheiro às produtoras: o público adolescente. Histórias sempre de jovens banais, com problemas "banais" em situações completamente "banais" era o que se tinha de sobra. Esse padrão era quase constante, com pouquíssimas exceções de filmes adolescentes que mantinham um certo rigor tanto no argumento, como na direção.
Christine tem a direção do grande John Carpenter que mais uma vez brilha, ditando um ritmo claustrofóbico e proporcionando uma mão cheia de enquadramentos genias (ah! aquele widescreen fabuloso)
Para muitas pessoas na faixa dos trinta anos este é mais um filme de referência, simbolizando a sua própria adolescência e uma geração, mas este é também uma das poucas adaptações da obra de S. King (contam-se pelos dedos de uma mão) que realmente funciona de forma soberba.
É um filme para recordar e para descobrir sem restrições algumas.