quinta-feira, junho 26, 2008

Estreia da Semana

Pergunta que se põe desde já! Será Speed Racer uma boa aposta dos irmãos Wachowski depois de Matrix? Não iremos responder para já, apesar de pairar no ar um mau agouro, mas iremos antes contar-vos uma pequena história que ilustra as nossas expectativas...
No dia do seu 14.º aniversário, um rapaz recebe um cavalo como presente. Na aldeia, toda a gente disse: ‘que maravilha’. Mas, um mestre zen, que vivia na aldeia, disse: ‘veremos’. Um dia, o rapaz cai do cavalo e parte um pé. ‘Que horror?, disseram as pessoas. O mestre zen disse: ‘veremos’. A aldeia entrou em guerra e os jovens foram chamados para ir combater. Por causa do pé partido, o jovem não foi. ‘Que maravilha’, voltaram a dizer as pessoas, ao que o mestre zen respondeu: ‘veremos’…

E temos dito!

quarta-feira, junho 25, 2008

Assembleia Geral

Talvez o maior elogio que se possa fazer a Assembly, do realizador chinês Feng Xiaogang (A World Without Thieves), é que esta sua nova obra transcende qualquer ideologia política que possa deixar transparecer. O filme narra as campanhas militares, durante os anos 40 e 50, da China comunista e é técnicamente assombroso, quer ao nível de um sólido naipe de actores, quer ao nível da encenação e orquestração das elaboradas cenas de batalha. E é aqui que nos deixámos supreender, pois nem por um único momento, as ditas cenas de guerra fazem com que nos esqueçamos do bom argumento que as une, muito por mérito do actor Zhang Hanyou.
É uma agradável e generosa surpresa, de um cineasta que nos tinha deixado um pouco confusos, depois do passo em falso que foi The Banquet. Uma vez que o senhor Feng Xiaogang é um veterano e um dos mais conceituados cineastas chineses. Para quem desconhece a obra aconselhmos vivamente o fabuloso A World Without Thieves.

segunda-feira, junho 09, 2008

O Lobo e a Cria

Lone Wolf And Cub é uma longa e violenta saga de 6 capitulos (6 filmes), que conta a história de um homem que abandonou tudo em busca de vingança do clã Yagyu, responsável pela sua queda e pela morte da sua mulher, contada em filmes autónomos que nos vão gradualmente dando a conhecer algo mais do passado e personalidade de Ito Ogami, que com o seu filho Daigoro, escolheu a estrada do inferno, tornando-se um lobo solitário. Lone Wolf and Cub (o lobo solitário e a sua cria) é precisamente o título que foi dado á obra no ocidente, e que enfatiza a presença do pequeno Daigoro, um bébé com a força de vontade e a disciplina de um samurai adulto, que constitui o contraponto humano a uma história extremamente violenta, onde o sangue corre a jorros e os combates são tão rápidos como brutais.

O conjunto de 6 longas metragens é considerado por muitos a mais fiel adaptação cinematográfica de uma BD. Realizada entre 1972 e 1975, esta série de filmes, que contou com argumento do próprio Kazuo Koike, acompanhou a publicação do manga que adapta directamente, e fê-lo de uma forma tão exacta que dá ideia que o próprio manga deve ter funcionado como story-board.

Filmados numa época em que o sucesso do Western Spaguetti estava ainda bem fresco (Aconteceu no Oeste de Leone, é de 1969), estes filmes revelam claramente essa filiação estética, nos grandes planos do olhar dos personagens, no tratamento operático das cenas que antecedem os rápidos combates, e até na utilização da música. Kenji Misumi, o realizador dos 3 primeiros filmes era um admirador confesso de Kurosawa e de Leone, e essas influências notam-se nestes filmes que misturam uma violência extrema, com momentos de grande calmaria e beleza formal, quase poética.

Os filmes chegaram ao Ocidente em 1982, graças aos produtores David Weisman e Robert Houston, numa versão truncada, chamada Shogun Assassin (é o filme que mãe e filha em Kill Bill assistem na cama) que mais não era que uma montagem sem grande coerência dos dois primeiros filmes da série, dobrada em inglês e narrada em voz off pelo pequeno Daigoro, inspirando John Carpenter a idealizar alguns dos personagens de As Aventuras de Jack Burton. Os filmes são mágnificos e recomendam-se, ou não teriam sido fonte inspiradora de Kill Bill.

segunda-feira, junho 02, 2008

Los Crimenes de Oxford

Los Crimenes de Oxford é a adaptação cinematográfica da obra de Guillermo Martinez, rodado pelo realizador de culto espanhol Alex De La Iglesia. Esta é também a primeira incursão do realizador com um elenco internacional com nomes como os de John Hurt e Elijah Wood, que tem sido inteligente e não tem escolhido filmes propriamente fáceis após a sua participação no Senhor dos Aneis.

O filme de Iglesia é aprumado, com forte sentido de estética, como lhe é habitual, conta com um argumento extremamente ardiloso, com um "E se..." a cada esquina o que funciona como transferência dos principios aplicados á matemática para uma história acessível a gregos e troinas. É sobretudo um filme espertalhão, e inteligente q.b. quando não tenta surpreender o espectador com os voltes de face por vezes demasiado elaborados (dizemos nós).

É uma excelente fita de mistério, como já não se via há muito, é todo aquilo que Os Crimes dos Rios Púrpura não conseguiu ser, e é de um realizador fantástico que conta com filmes como o mágnifico El Día de la bestia. Vale a pena e vão ficar com o cérebro em água!
O trailer: aqui

domingo, maio 25, 2008

James Bond Alternativo

Desta vez regressamos ao baú do palhacinho e fomos buscar um filme da série James Bond, mas que ao mesmo tempo também não é! Mau! É ou não é um 007? É e não é! Mau! Então foi mais ou menos assim, O filme Never say Never Again (1983) não faz parte da série oficial de filmes de James Bond, inclusivé se repararem em nenhum poster do filme existe uma única alusão ao chavão "007", isto porque não puderam utilizar o mesmo. O senhor Kevin McClory, que produziu e é o co-autor de Thunderball ganhou em tribunal o direito de produzir um filme com o personagem James Bond, desde que o filme fosse feito depois de 1975. Este filme é uma nova versão de 007 Thunderball e era para ter o titulo Warhead. O titulo final é uma brincadeira com o actor principal Sean Connery, que teria jurado que nunca mais iria fazer outro filme de James Bond.
E foi assim que no mesmo ano em que estreou 007 Octopussy com Roger Moore, Sean Connery volta a encarnar o personagem de Bond, com muitos mais cabelos brancos e barriga, e com umas bond girls muito sui generis - Kim Basinger e Barbara Carrera. Delicioso!

sexta-feira, maio 23, 2008

Trasssshhhhhhhhhh

Bem! Por onde é que vamos começar? Avisa-mos desde já que não vamos perder muito tempo com este assunto...mas sim é verdade! Houve um camarada armado em autor, de nome Vern, que decidiu escrever um livro sobre, e passo a citar "a study of the ass-kickinf films of Steven Seagal" - não vamos comentar mais, mas iremos só simplesmente voltar a citar - "A" study. Ora toma lá pipocas não é um livro qualquer, mas sim "um estudo". Baaahhhh!

quarta-feira, maio 21, 2008

Livro de Cabeceira

Esta semana vimos falar-vos de um livro! Sim de um livro! Não é de música, nem de cinema, mas sim de um livro! É mais do que sabido que livros sobre cinema, é algo que não abunda nas prateleiras das nossa livrarias, apesar de já ter sido bem pior do que é agora. Mas se quisermos encontrar um livro que relate a história de um cineasta como John Woo? Então boa sorte, porque na nossa lingua mãe o mesmo não existe. Felizmente há internet e algumas livrarias que têm obras importadas.

O livro John Woo Interviews, faz parte de uma colecção da responsabilidade de um editor do New york Time, por onde já passaram diversos realizadores como Stanley Kubrick, Woody Allen, Zhang Yimou, entre outros. É uma obra biográfica, mas também uma recolha quase antológica das mais interessantes entrevistas que Woo já deu até então, onde pela primeira vez fala da sua história familiar (surpreendente e inspiradora), da sua infância difícil e sobretudo dos seus filmes anteriores á sua ida para a meca do cinema.

É uma obra para fãs, para interessados e para todos os que pensam erroneamente que o Sr. glorifica a violência com muita panache nos seus filmes.

sexta-feira, maio 16, 2008

2009: O Ano da Revolução (parte 2)

Godard disse uma verdade: o cinema é uma mentira a 24 frames por segundo. É tudo ilusão, e o prémio vai para quem faz essa ilusão parecer mais real e envolvente. Quando assistimos a uma cena em 3-D, o senso de realismo é sobrecarregado. Todos os filmes que eu fiz antes teriam beneficiado completamente de um visionamento 3-D. Então, criativamente, eu vejo o formato como uma evolução natural para a minha obra.
Em Avatar não estou a filmar de forma diferente, a compor enquadramentos diferentes só porque é 3-D. O meu estilo é o mesmo. Na verdade, depois das primeiras semanas de flmagens, parei de olhar para os takes em 3-D enquanto trabalhava, ainda que as cameras digitais me permitam ver em tempo real as imagens tridimensionais.
Avatar já está a começar a parecer um filme de facto. Estou em extase com o visual e com os desempenhos. A química entre o elenco foi perfeita. Ainda temos algumas capturas de movimento para fazer com Sam Worthington e Zoe Saldana em Março. E temos um par de dias com Stephen Lang em Abril ou Maio para filmar a última cena do personagem dele, que é tão difícil tecnicamente que até lá, ainda precisamos de arranjar uma forma de o fazer. Este filme tem um espírito especial, porque sabemos que estamos a fazer algo inovador. É por isso que toda a gente continua a trabalhar animadamente, mesmo depois de trabalhar neste filme há mais de dois anos. Ainda temos mais um ano e meio pela frente.

Não sei se será um filme bom, óptimo ou medíocre, mas posso dizer com absoluta certeza que o espectador verá coisas que nunca imaginou poder ser possível na vida.

James Cameron

sábado, maio 10, 2008

O Fim Do Mundeee em Grande

Em virtude de nos terem informado que o nosso blog estaria a investir numa vertente retro, que de acordo com as fontes é um elogio, decidimos hoje trocar-vos as voltas e escrever sobre um filme fresquinho...fresquinho!
Doomsday de Neil Marshall, realizador britânico que tem vindo a ser o porta estandarte da nova vaga de cinema de horror brit, é uma deliciosa montanha russa de emoção. Depois de nos ter brindado com a surpresa que foi Dog Soldiers e com o seu penúltimo filme, o fabuloso The Descent, Marshall traz-nos uma obra pejada de referências que vão desde New York 1977 , Mad Max, 28 Days Later, etc. Bem referências não! O filme é um exercício de plágios assumidos sem complexos, e funciona de forma absoluta e brutalmente perfeita.É sem dúvida nenhuma o filme mais treslocado, alucinado e politicamente incorrecto que vão ver este ano, perversamente divertido, vai agarrar-vos do ínicio ao fim sem vos deixar espaço algum para respirar. Neil Marshall é o novo John Carpenter, e tem sido o realizador de filmes do género mais coerente e surpreendente nos dias que correm. O palhaço pede-vos encarecidamente que deixem o cérebro á porta, as pipocas também podem ficar á porta (depois vão perceber, não vos queremos estragar a surpresa), e preparem-se para "O" blockbuster deste verão.

O trailer: aqui

segunda-feira, maio 05, 2008

O Verdadeiro Grindhouse

Depois da estreia do double feature Grindhouse aka Death Proof & Planet Terror, estamos actualmente a viver o revivalismo do género, o que muito nos agrada. No entanto devemos reconhecer que o espirito grindhouse, trazido para a tela por Tarantino e Rodriguez, era fruto de um considerável investimento monetário de um estúdio, o que por si só é uma contradição, uma vez que era caracteristica fundamental para este tipo de cinema o baixo orçamento, ou mesmo a total ausência do mesmo. Este filmes eram feitos para render dinheiro, eram feitos por tuta e meia, com actores de recursos limitados, tinham por detrás investidores particulares, e o objectivo final era pelo menos reaver o dinheiro investido. Para isso era necessário levar publico aos drive inns! Para que tal acontecesse dava-se aquilo que a maioria queria ver - sangue & sexo - o argumento era secundário e logo se via com o andar da carruagem.

Pois bem, no verdadeiro espírito grindhouse e cinema de drive in, chega-nos o fabuloso The Machine Girl, filme de baixo orçamento, mas com muita imaginação. É uma típica história de vingança, com os elementos habituais, mas com uma forte dose de humor negro, imaginação gore-ifica (se é que isso existe? Epa! depois de vermos isto...existe acreditem). Por aqui vão encontrar de tudo um pouco: guilhotinas voadoras, lutas de moto-serra, com especial mensão a um soutien mortífero. Ah! E a história resume-se a uma jovem que fica sem um braço e no lugar deste metem-lhe uma metrelhadora para ela se vingar dos mauzões...mas o que é que a história interessa na realidade?

O sentido de estética é apurado, a acção bastante bem encenada, o ritmo do filme é alucinante, por isso preparem-se para o filme trash-xunga do ano. Tarantino cuida-te!

O Fantástico Trailer: aqui


quinta-feira, abril 24, 2008

Os Estúdios Shaw Brothers

Os estúdios Shaw Brothers dos irmãos Shaw, Sir Run Run Shaw & Runme Shaw, são uma parte fundamental da história do cinema chinês. Os seus filmes, que vão desde as artes marciais e kung fu, à ópera Huangmei, passando pela comédia, marcaram desde a década de 40 até aos nossos dias o cinema chinês “made in” Hong Kong, na altura ainda colónia britânica, separada do “mainland”. A verdade é que sessenta anos do actual cinema chinês foram moldados por esta dupla de irmãos, tanto em termos de indústria - os Estúdios Shaw são a maior companhia produtora de filmes de Hong Kong – como da própria estética dos géneros dominantes na produção chinesa. Realizadores como Lau Kar-leung e Chang Chen, ou o mais conhecido King Hu, construíram as suas carreiras e a sua fama graças aos irmãos Shaw. King Hu é lembrado por filmes como “Come Drink With Me” de 1966, onde inovou o género ao dirigir um filme de artes marciais diferente daqueles feitos por Chang Chen, uma vez que colocava mulheres no papel de protagonista principal, que centra a sua história num romance, em vez de mera acção e lutas.
Os anos dourados das produções Shaw foram, sem sombra de dúvida, os anos 60/70 do século XX, quando começaram a produzir de modo intensivo os filmes de artes marciais que rapidamente invadiram os mercados mundiais com êxito retumbante. Os estúdios criaram algumas das maiores estrelas do cinema chinês da altura, como são Lin Dai e Li Han Hsiang, actores e realizadores que passaram quase toda a sua carreira a trabalhar para os irmãos Shaw. Se os Shaw e o seu império cinematográfico familiar, tiveram uma enorme influência no cinema de Hong Kong, mas também no cinema chinês no seu conjunto, a sua evolução é um espelho das vicissitudes sociais e históricas da China contemporânea.

Mas seria em 1958 que os irmãos Shaw enfrentariam o maior desafio das suas vidas: a construção de um estúdio de cinema na Baía de Clearwater. O “estúdio” tinha seis plateaus independentes, um edifício administrativo, um estúdio para gravação e mistura de som, uma cantina e dormitório para os funcionários. Quando a construção terminou em 1967, quase dez anos depois de iniciadas, existiam 12 plateaus independentes, que permitiam a filmagem de uma dúzia de filmes em simultâneo. A Shaw Brothers subiu de uma média de filmes anual de 12 para 40. Mas, o que faz deste gigantesco estúdio um prodígio é o facto de estarem montados permanentemente, muralhas de cidades históricas chinesas, palácios, ruas e lojas, pontes e rios, permitindo produções massificadas, com custos mais baixos. Enquanto a concorrência fazia dramas sobre a classe média urbana, os estúdios Shaw centravam a produção nos épicos históricos, na ópera huangmei e, mais tarde, nos filmes de acção e kung fu, que serão a sua mina de ouro. Os funcionários viviam literalmeente nos estúdios com as suas famílias, tendo o trabalho passado de gerções em gerações.
Salienta-se algumas obras fundamentais (essenciais mesmo) para quem tem curiosidade, e para aqueles que pensam que os filmes de kung fu não podem ser complicados: o fabuloso Come Drink With Me (trailer aqui), a obra prima The Killer Clans (trailer aqui), o brilhante One Armed Swordsman (trailer aqui) e para nós aquele que é um marco na história dos Shaw Bros - Vengeance (trailer aqui), sem este não havia Kill Bill, e o Sr. Tarantino reconhece.

segunda-feira, abril 21, 2008

Ensaio Sobre A Cegueira Segundo Meirelles

Blindness é o novo filme de Fernando Meirelles que adapta a obra aclamada de José Saramago. Muito provavelmente estão reunidas as condições para que este se torne num dos filmes do ano; seja pelo realizador (Meirelles já nos presenteou cinema da mais alta qualidade como é o caso de Cidade de Deus e O Fiel Jardineiro), seja pelo elenco (onde figuram os nomes de Julianne Moore e Mark Ruffalo), seja pela história forte e poderosa que Saramago imaginou; se o escritor vendeu os direitos da mesma é porque confia, a partida, no resultado "visual" - palavra curiosa quando falamos do problema da cegueira - que lhe foi prometido (de notar que uma das exigências de Saramago foi o facto de o filme não se passar num país que seja reconhecível, para que permaneça incógnito e misterioso).
in Deuxieme
Trailer: Blindness

Podia Ter Sido Ainda Melhor

Vamos então lá ver porque tanto se fala acerca deste filme! Na senda do sucesso comercial que foi Cloverfield e já distantes do sucesso, pelos menos de marketing, que foi Blair Witch Project, surge-nos este [REC] dos espanhóis Jaume Balagueró & Paco Plaza. [REC] conta a história de uma repórter de TV e do seu operador de câmara que seguem um grupo de bombeiros da cidade de Barcelona. Depois de receberem uma chamada de uma senhora que diz estar presa dentro de casa, eles chegam ao prédio onde ela mora e ouvem gritos apavorantes - que dão início a um longo pesadelo e a uma reportagem nunca vista antes.
[REC] foi o vencedor do Fantasporto nas categorias de Audience Jury Award, International Fantasy Film Award e Best Film. A originalidade da premissa do filme é bastante discutível, na realidade este é mais outro dos filhos do género blair wicth com câmara ao ombro, que nos reserva um salto na cadeira a cada esquina, um rosto tenebroso a aparecer repentinamente no ecrã de quando em quando, faltas de luz constantes e um prédio infestado de zombies, daqueles que correm como o camandro!
Mas agora a pergunta que todos querem ver respondida é: O filme é daqueles de morrer de medo? De tapar os olhos com a mão? Bem na realidade nós aqui no palhaço não chegamos a tanto, muito pelo contrário, as expectativas foram postas com uma fasquia demasiado elevada devido a tanto sururu acerca do filme.
É um filme de terror decente, escorreito, original até certo ponto, mas onde só tapamos os olhos nos últimos 10 minutos. Aí sim, nunca imagens do tipo night vision foram tão aterradoras! Como era de esperar o remake Amarikano vem para breve e chama-se Quarantine.
E já agora, que ideia foi essa de arranjar uma miúda portuguesa possuída, como a génese da epidemia zombie do filme. Kudos! Kudos!

quinta-feira, abril 17, 2008

Ainda Sobre GITS


Ainda na senda dos rumores, que começam a ganhar forma, sobre a adaptação live action de GITS para o grande ecrã...


Some ready amazing news hit the web tonight as it was announced that DreamWorks has acquired rights to the Japanese manga Ghost in the Shell with plans to adapt the futuristic police thriller as a 3-D live-action feature! The kicker of the story is that the deal was sealed because of Steven Spielberg's passion for the original. Read on for the skinny.The story follows the exploits of a member of a covert ops unit of the Japanese National Public Safety Commission that specializes in fighting technology-related crime.Created by Masamune Shirow, "Ghost in the Shell" was first published in 1989. It went on to generate two additional manga editions, three anime film adaptations, an anime TV series and three videogames. The second anime film, "Ghost in the Shell 2: Innocence," was released in the U.S. by DreamWorks in 2004.Avi Arad, Ari Arad and Steven Paul of Seaside Entertainment are attached to produce and brought the project to the studio. Jamie Moss has been tapped to pen the adaptation.Universal and Sony were also chasing "Ghost in the Shell," but Steven Spielberg took personal interest in the property and made it happen at DreamWorks." 'Ghost in the Shell' is one of my favorite stories," Spielberg said. "It's a genre that has arrived, and we enthusiastically welcome it to DreamWorks."DreamWorks prexy of production Adam Goodman said "Ghost in the Shell" is a property "that epitomizes 3-D live-action motion picture possibilities."


in http://www.bloody-disgusting.com

quarta-feira, abril 16, 2008

Pode Ser "A" Notícia Bomba do Ano

Esta poderá ser "A" notícia mais inquietante, para alguns, em termos cinematográficos. Decidimos citar directamente a fonte - twitchfilm.net - no seu texto original. Fãs hardcore Preparem os corações...
Please resist the urge to make everything neat and clean ... please resist the urge to make everything neat and clean ... please resist the urge to make everything neat and clean ...

Mack reported all the way back in January that Japanese anime house Production IG were actively seeking an American movie studio to develop a live action adaptation of Masamune Shirow’s classic story Ghost in the Shell with. To nobody’s surprise the interest was huge with a number of major studios in the fray and I just spotted a note over on Bloody Disgusting that the battle is over thanks to the personal intervention of the heaviest of Hollywood heavyweights. Word is that Steven Spielberg stepped in personally to ensure that the project ended up at Dreamworks where Avi Arad - the man behind the recent string of Marvel comic adaptations - will produce a Jamie Moss script. There’s no firm confirmation of who will direct but I can’t imagine that Spielberg took action on this himself just to hand it off to someone else.
How do I feel about this? Well, Speilberg obviously has the technical skills to pull it off. The man’s a monster when it comes to creating alternate worlds and putting the truly fantastic on screen. However he also has an ongoing tendency to clean up and sanitize just about everything he touches - his adaptation of Philip K Dick’s Minority Report being a prime example. This could be spectacular. It could be painful. It could be both. I’m excited and afraid all at the same time ...

O Bébé de Rosemary

Esta semana regressamos de novo aos clássicos de alguma forma perdidos ou esquecidos. O filme de Roman Polansky - Rosemary's Baby - é antes de mais uma referência absoluta para o cinema fantástico, sendo mesmo considerado uma das mais importantes obras do seu realizador. É um filme altamente perturbador sobre um casal nova-iorquino recém chegado a um novo apartamento e a uma nova vida. Mia Farrow representa admiravelmente a rapariga que vê o seu marido a passar cada vês mais tempo com o casal de idosos da porta ao lado. Estes revelar-se-ão diferentes do que poderíamos julgar levando Rosemary (Farrow) a um estado de neurose típico das personagens femininas de Polanski e que mostra ser a marca mais importante deste cineasta. Tal como em Repulsa de 1965, com uma então ainda jovem Catherine Deneuve, a vivência do desconhecido para Rosemary assume contornos de grande inquietação, que magistralmente se reflecte mesmo no espectador menos atento. È um filme de um simbolismo extremamente inteligente, em que somos obrigados ao constante exercicío da dúvida, de questionar se o que está a acontecer é real ou imaginário, fruto de uma possível descompensação da protagonista.Tal como em Chinatown, Polanski revela-se um perito em atordoar o espectador, deixando este de saber quem é quem, ou o quê é o quê. Existirá mesmo uma conspiração contra Rosemary? Apesar de podermos tirar uma conclusão rapidamente, ou mesmo duvidando até ao final, durante todo o filme os arrepios estão presentes. Poucos são os filmes em que o suspense se mantém por tanto tempo. Um elenco notável, onde se destaca a interpretação de Mia Farrow, como Rosemary.

O filme vence, pois apoia-se no principio de que tudo poderá ser delírio de Rosemary, de que tudo o que lhe está a acontecer poderá ser fruto de dificuldades de adaptação á grande cidade, e de um sentimento de isolamento que esta experiencía ao longo do filme. O filme resulta porque o espectador está constantemente a por em causa a personalidade da personagem, e a sua aparente patologia esquizo-paranóide (ok! já mandamos a nossa análise, pejada de palavras caras...parabéns a nós!)

sexta-feira, abril 11, 2008

Entre 1945 e 2001

Em 1945 os Estado Unidos da America bombardearam Hiroshima no Japão com uma bomba nuclear. As consequências da acção foram nefastas para o povo japonês, provocando uma série de mudanças sociais. E o pós guerra desencadeou o florescimento das mais variadas manifestações culturais, que serviam de metáforas e tentativas de reparar a ferida deixada pela bomba. Deste modo, o Manga, o cinema e a arte em geral surgiram como um escape, de forma a exorcisar os fantasmas do passado. Em 1954, aproximadamente dez anos mais tarde, o realizador Ishirô Honda levava á tela, aquela que é ainda hoje, uma das mais persistentes personificações do mal para o povo japonês - Gojira - ou Godzilla se quiserem. O monstro que invadia a cidade de Tokyo e espalhava a destruição era fruto da era nuclear e simbolizava a Bomba, o maior pesadelo do povo japonês, que por seu lado respondia e contra-atacava numa batalha desigual. O filme Cloverfield, porduzido por um dos criadores de Lost - J.J, Abrahams - tem outro significado depois do 11 de Setembro. Não que a história seja inovadora, nada disso, mas porque escolhe assumir uma postura documental, muito á luz das imagens que inundaram as nossa televisões em 2001. E é por isso que é eficaz no seu horror, da mesma forma que as imagens reais o foram. O filme em si não é brilhante, não é uma obra prima, mas é um produto da história do mundo, da mesma forma que Gojira em 1954 o foi, com o mesmo efeito que provavelmente o filme japonês provocou nos espectadores de então. É por isso também que Cloverfield não ambiciona ser um remake de Gojira, e não o é, apesar de ambos os países estarem a exorcisarem os seus fantasmas.
A História tem destas coisas, e por vezes repete-se no real e no imaginário, ou cinema!


terça-feira, abril 08, 2008

Os Estúdios Hammer

No final dos anos 50, o desgaste natural do cinema de Horror fez com que o género enfrentasse perdas significativas de audiência para a televisão. Nesse momento, a produtora inglesa de filmes fantásticos "Hammer", que entrou em actividade após a Segunda Guerra Mundial comandada por Michael Carreras e Anthony Hinds, surgiu com a ideia de revitalizar o género trazendo novamente às telas do cinema as famosas vacas sagradas "Drácula", "Criatura de Frankenstein", "Múmia", "Fantasma da Ópera", "Lobisomem", entre outros, os quais haviam sido largamente filmados a preto e branco nas décadas anteriores pelo saudoso estúdio americano "Universal", com Boris Karloff, Bela Lugosi e Lon Chaney Jr., entre outros.
O primeiro filme do género fantástico da Hammer foi The Quatermass Xperiment, baseado numa série de TV de 1953, com uma história que misturava elementos de ficção científica e horror e relatava o regresso de um astronauta que ao regressar de uma missão ao espaço é possuído por um extra terrestre e transforma-se num terrível monstro ameaçador para a humanidade. A partir daí, vieram dezenas de outros filmes que se imortalizaram dentro da história do género e que são filmes de culto até hoje, várias décadas depois, para uma legião imensa de fãs. A maior característica dos filmes da Hmmer era o ambiente. Com fascinantes cenários góticos, através de imponentes castelos, cercados por florestas fantasmagóricas, com cemitérios privados e as suas lápides de pedra e túmulos envoltos em névoa sinistra, sem contar com as pequenas aldeias de camponeses supersticiosos e constantemente assustados, os laboratórios cobertos de aparelhos eléctricos, líquidos borbulhantes e tubos de ensaio, as famílias atormentadas por alguma antiga maldição, e o tradicional modo de vida aristocrático das damas e cavalheiros da época.
O sucesso dos primeiros filmes do estúdio tem explicação em alguns factores importantes como a fotografia colorida, a utilização de uma mesma equipa de produção e elenco, e o uso inteligente dos recursos disponíveis diminuindo os custos de produção. O ápice de consagração da "Hammer" foi durante os nostálgicos anos 60, onde se concentraram a maioria dos seus melhores filmes, sendo que de uma forma inevitável as suas produções acabariam por sofrer desgasto com o passar dos anos, ao apresentar poucas novidades e um uso exagerado de fórmulas repetitivas. Facto que levou o publico a perder gradativamente o interesse nos filmes e que inevitavelmente levou ao encerramento do estúdio, o que também se deveu ao género do horror se encontrar em mudança com filmes como A Semente do Diabo e Massacre no Texas, em que a direcção era para uma corrente inspirada pelo naturalismo, cujo pontífice foi a Noite dos Mortos Vivos.
Ainda assim, os estúdio Hammer foram uma referência absoluta para o cinema fantástico.

segunda-feira, março 31, 2008

Um Dia de Cão

Em Agosto de 1972 um assalto a um banco em Brooklyn - Nova Iorque - chama a atenção dos média e transforma-se num show com uma enorme audiência. Era um roubo que teóricamente duraria apenas dez minutos, mas após várias horas os assaltantes estavam ainda cercados com reféns dentro do banco. Sonny (Al Pacino), o líder dos assaltantes, planeou conseguir dinheiro para Leon (Chris Sarandon), o seu amante homossexual, fazer uma cirurgia para mudar de sexo. Enquanto tudo se desenrola a multidão apoia e aplaude as declarações de Sonny e fica revoltada com o comportamento da polícia.

Este poderia ser um argumento para um qualquer filme Grindhouse perdido no espaço e no tempo, mas a realidade ás vezes parece mais estranha do que a ficção. Deste modo, a história acima descrita é absolutamente verídica e o filme nas mãos de Sidney Lumet tornou-se numa obra prima do cinema dos anos 70. Teve seis nomeações e ganhou um Oscar. O Oscar foi para: melhor argumento original (Frank R. Pierson). E ainda foi nomeado para: melhor filme, melhor actor (Al Pacino); melhor actor secundário (Chris Sarandon); melhor realizador (Sidney Lumet) e melhor montagem (Dede Allen).

É uma obra de referência da década de 70, a par com outros filmes como Os Homens do Presidente e Os Incorruptíveis Contra a Droga. O filme acompanha de forma unilateral a visão do personagem de Pacino, que está presente em todas as sequências da longa-metragem, temos praticamente um "monólogo" interpretativo brilhante do actor, que indirectamente discute valores da sociedade, preconceitos e os mass média. Não há práticamente música ao longo da obra para realçar as emoções, que tomamos como verdadeiras: as sequências são tensas o suficiente para nos prender do princípio ao fim. Recheado com um humor-negro de uma era pré-Tarantino, principalmente pelas atitudes ingénuas de Sonny (Al PAcino), o filme é o perfeito exemplo de um género quase documental, muito em voga naquela década.

Um Dia de Cão mostra um Al Pacino frenético em inicio de carreira, um Sidney Lumet em plena forma e recomenda-se vivamente.

Por Favor Não Me Morda o Pescoço

Dos muitos filmes perdidos no tempo e que nos aquecem a alma, o filme de vampiros de Roman Polanski - The Fearless Vampire Killers, or Pardon Me but Your Teeth Are in My Neck - é sem dúvida um clássico. Rodado em 1967, este vampire spoof é um autêntico filme de culto pelas mais variadas razões; em primeiro lugar conta com a participação do então ainda jovem Roman Polanski, que interpreta um aprendiz de caçador de vampiros; depois conta também com a participação da inebriante Sharon Tate, que viria pouco tempo depois a casar com o Polanski, e anos mais tarde teria um trágico destino pelas mãos do psicopata Charles Manson; por outro lado tem uma mágnifica banda sonora de Krzysztof Komeda; e por último tem uma assombrosa fotografia e cenografia.
Em terras lusitanas estreou com o sugestivo nome Por Favor Não Me Morda o Pescoço, e é um equilibrio magistral entre comédia, suspense, erotismo e horror clássico a la Hammer Studios. O argumento também da autoria de Polanski conta a história de um velho investigador de morcegos (na realidade um caçador de vampiros muito sui generis), professor Abronsius e o seu assistente Alfred (Roman Polanski), que vão para uma remota aldeia da Transilvânia à procura de vampiros. Alfred apaixona-se pela filha da dona da estalagem onde pernoitam. Contudo, esta foi marcada pelo misterioso Conde Krolock que vive num castelo assombrado nos arredores da aldeia.
Na realidade este poderia ser um dos pontos fracos do filme, o facto do argumento ser de uma simplicidade absurda e assumir-se como uma história híbrida de todos os filmes do género. No entanto, e em termos práticos, o realizador consegue pintar um irresistível quadro barroco e pitoresco, brincando com todos os clichés do género e apoiando-se numa fotografia extraordinária. No que concerne á cenografia, esta é um mágnifico exercicio de estética, pontoada pelo rigor ao nível da sua construção, o que para um filme essencialmente rodado em estúdio é essencial.

Durante muitos anos este filme andou perdido por canais de televisão temáticos como TNT, ou mesmo em altas horas da madrugada de cinema da RTP1, não estando portanto acessivel a venda directa. Em 2004 a Warner Home Video resolveu editar o filme de Polanski em DVD, com imagem devidamente restaurada e em 16:9 e com um par de extras interessantes.
É um filme essencial para todos os amantes de Roman Polanski, pela simples razão de ser o filme mais atípico da carreira do realizador, e aquele que destoa mais da sua filmografia. Delicioso!

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