sábado, agosto 30, 2008

Dois Blockbusters Japoneses a Estrear

Este é o ano das adaptações Manga para cinema no Japão. O muito antecipado 20th Century Boys, que prevê-se ser qualquer coisa de avassalador, e o já aqui comentado K-20 igualmente com excelente aspecto. Mas o aspecto não é tudo, e assim se espera que doa os dedos a argumentistas ardilosos.

Os trailers estão muito bons, que os amaricanus se cuidem...e cheira-me que há de vir aí uns remakes de ambos.

2081: Everyone Will Finally Be Equal

Baseado na short story de um dos mais influentes autores do século - Kurt Vonnegut - chegará em breve ás salas de cinema mais selectas da Europa o filme 2081: Everyone Will Finally Be Equal.

Pejado de actores desconhecidos, com um trailer extremamente bem conseguido, este é a par com Blindness (a adaptação de Ensaio Sobre a Cegueira) um dos filmes independentes a ter em conta.

quinta-feira, agosto 28, 2008

Compilação Nova

Por tempo limitado aqui fica o primeiro volume da compilação que vos prometemos. Para a terem nos ouvidos, basta clicar em cima da foto...Sim na foto do post. Se tiverem problemas contactem a administração, que concerteza vos dará ouvidos (ou não).

sexta-feira, agosto 22, 2008

Épico Tailandês

Quem disse que os tailandeses não arrebentam como ós amaricanos ? É o épico que demorou uma eternidade, segundo as fontes, e que parece ser tão mau que é bom! Confusos? Vejam o trailer.

Bom Remake

A nossa história começa em 2001! Era uma vez um pequeno filme, que foi feito sem grandes recursos e pretensões comerciais, mas que inesperadamente tornou-se num dos filmes mais rentáveis da história do cinema coreano. My Sassy Girl é hoje também um remake americano. O que com as últimas incursões de Hollywood em refazer o que os nossos amigos asiáticos já fizeram e bem, poderia ser perigoso ou mesmo mau. O remake americano do filme de Jae-young Kwak é uma versão fiel do original, embora mais light e Pop, resultando de forma bastante satisfatória e com interpretações, que não impressionando, são precisas e competentes.
Se não viram o original - o rei das comédias românticas asiáticas - aconselhamo-vos vivamente a versão americana. E sem querer revelar nada da história dizemos apenas isto...Se David Fincher (Seven, Fight Club) fizesse uma comédia romântica seria esta! E mais não escrevemos, porque este é para descobrir.

quinta-feira, agosto 21, 2008

Hellboy & O Exército Dourado

Hellboy está de regresso novamente pela mão do cineasta de culto Guillermo Del Toro. Criado pela sua avó católica, Del Toro desenvolveu interesse por cinema aquando da sua adolescência. Anos mais tarde, desenvolve uma especial apetência pelo mundo dos efeitos e maquilhagem com Dick Smith (que trabalhara em O Exorcista e em várias curtas metragens).
Aos 21 anos, Del Toro assume o papel de produtor executivo do seu primeiro filme, Dona Herlinda e seu Filho (1986). Por dez anos, trabalhou como supervisor de maquilhagem, até formar a sua própria companhia, Necropia, no inicio dos anos 80. Dirigiu ainda programas para a TV Mexicana, onde viria a aprender as bases de como fazer filmes. O seu primeiro sucesso foi Cronos (1992), filme assombroso que ganhou nove prémios no México e se tornou um sucesso em Cannes no mesmo ano. Seguindo o sucesso de Cronos, dirigiu um filme em Hollywood, de nome Mimic (1997), sobre o qual haveria pouco a dizer, se não fosse o cunho pessoal do cineasta e o reconhecimento daquelas que viriam a ser as suas marcas de autor: a predilecção por espeços fechados e um certo fundo de fábula que viria a imprimir em todas as suas obras.
No entanto, após ficar decepcionado com o fraco resultado do filme, regressa ao México, onde tinha maior liberdade criativa, formou a sua produtora - The Tequila Gang - e conquistou a crítica com o inteligentíssimo El Spinazo Del Diablo, uma história de fantasmas passada na época da Guerra Civil Espanhola. Del Toro voltou a Hollywood em 2002, para dirigir Blade 2, e mais tarde, Hellboy (2004).
Em 2007 conquistou o mundo com a sua obra prima até á data - O Labirinto do Fauno - filme de fantástico e com uma temática em muito semelhante ao seu predecessor El Spinazo Del Diablo. Foi nomeado ao Oscar de Melhor Filme estrangeiro, em 2007, pelo filme O Labirinto do Fauno.

Com Hellboy & O Exército Dourado, Del Toro prepara-se para conquistar gregos e troianos, pois conseguiu aquilo que nenhum outro filme de BD conseguiu até hoje, abordar o conceito de família aplicado ao super herói. Filmes como X-Men e o Quarteto Fantástico, sempre andaram a rondar esta ideia, sem nunca ter verdadeiramente coragem de a assumir e concretizar. Em Hellboy 2, o realizador dá-nos uma história de super heróis na forma de uma fábula, onde existe algo que não conseguimos bem explicar, que não é palpável e visivel no ecrã, onde a acção e os tiros e os murros são postos em segundo plano e assumem um papel pouco relevante.

Sejamos honestos não é um novo Labirinto do Fauno, nunca o poderia ser, nem é essa a intenção do realizador. É sim um filme de BD muito inteligente, que nos dá aquilo que queremos e esperamos ver num filme do género, mas dá-nos algo mais que o espectador habitual destas fitas não está á espera e que pode não compreender. Essa coisa tem um nome e é alma.
Entretanto Del Toro já se deixou seduzir e aceito dirigir o The Hobbit, juntamente com Peter Jackson, que terá data de estreia para prevista para 2011.

terça-feira, agosto 19, 2008

O Livro Da Morte

A adaptação do mais famoso Manga para cinema, bateu todos os recordes em 2006. As filas para comprar os bilhetes para a estreia chegaram a ser de Km, e os nossos amigos nipónicos tiveram todas as razões para o fazerem. Death Note parte I & II foi o mind fuck de 2006, é visceralmente viciante e só ficamos saciados quando vemos o último frame.

Com base nas histórias de banda desenhada da autoria de Ohba Tsugumi e Obata Takeshi, publicadas em fascículos e compiladas em 12 volumes, a adaptação de «Death Note» (em inglês, no original), foi planeada desde o inicio para serem dois filmes, que viriam a estrear com alguns meses de diferença, em 2006. O primeiro chegou às salas em Junho e destronou «The Da Vince Code» do Nº 1 das bilheteiras, mantendo essa posição durante duas semanas; «Death Note 2: The Last Name» estreou em Novembro e foi Nº 1 por quatro semanas consecutivas.

O surpreendente sucesso dos filmes, que viriam a render 8 mil milhões de ienes nas bilheteiras japonesas levou a que depressa fosse anunciada a produção de um spin off, com base na personagem de L. Nakata Hideo, que tem estado nos EUA a traduzir horror japonês para as audiências americanas, foi chamada para dirigir. Os dois filmes foram editados em DVD no Japão com um número recorde de um milhão de cópias a ser lançado inicialmente no mercado.

A acção do segundo filme inicia-se imediatamente após os acontecimentos do final do primeiro, seguindo-se a uma breve montagem destinada a avivar a memória do espectador. Os filmes foram planeados como uma única unidade narrativa, pelo que optei por tratá-los desse modo. Se tiverem a oportunidade – e quatro horas e meia disponíveis –, recomenda-se uma sessão dupla.
O melhor de «Death Note» decorre do entusiasmo com que os cineastas exploram as regras do jogo, tornando a intriga cada vez mais complexa, mas também mais interessante. O entusiasmo é partilhado pelo espectador que se deixar prender pela premissa.

domingo, agosto 17, 2008

Feios Porcos e Maus

Giacinto é o patriarca de uma família de cerca de 20 pessoas, vivendo todas na mesma barraca de um dos bairros de lata de Roma. Despótico, alcoólico e obcecado com o sexo, a grande preocupação de Giacinto é proteger o seu milhão de liras, a indemnização que lhe foi dada pela perda de um olho, da cobiça dos seus familiares, que tudo vão fazer, mesmo envenenar-lhe o spaghetti, para meter as mãos no dinheiro. Uma muito negra comédia grotesca em que ninguém é inocente. Um comentário político muito ousado sobre a decadência da sociedade ocidental. Uma prestação memorável de Nino Manfredi.

Giacinto Mazzatella (Nino Manfredi), um ex-operário que recebeu um milhão de liras de indemnização após ter perdido um olho num acidente de trabalho, mora com a esposa, os dez filhos e vários parentes, numa barraca de um bairro degradado da periferia de Roma. Movido pelo egoísmo e pela avareza, esconde o dinheiro que recebeu do seguro e, com medo que alguém o roube, dorme abraçado a uma caçadeira obrigando os outros (mais de 20) a comer, dormir e fazer sexo na mesma divisão da barraca. A situação complica-se quando Giacinto leva para “casa” uma prostituta e começa a gastar o dinheiro comprando-lhe presentes. Os Neo-realismo, sarcasmo, sátira trágico-cómica, com ritmos cruelmente grotescos, “Feios, Porcos e Maus” releva as condições degradantes da vida humana num retrato ímpar da miséria, egoísmo, mentira, promiscuidade, traição, incesto e violência. Selecção Oficial Festival Cannes 1976 vencedor Melhor Realização

terça-feira, agosto 12, 2008

Eles Andem Aí

A época de 80 foi os anos de ouro para John Carpenter. Obras de referência tais como Escape From New York, Christine, Prince of Darkness, Big Trouble in Little China e muitas mais, povoam as memórias cinéfilas de muitos rapazinhos (e algumas meninas também sejamos honestos), cuja idade rondará hoje os trinta e pouco.
O filme They Live de 1988 parte de um pressuposto metafórico, de que a humanidade é controlada por "Eles"; e "eles" são os políticos, as autoridades, a aristrocacía e a classe média e média alta não fazem parte "deles", mas querem fazer a todo o custo (um pouco como os trepadores sociais, que tudo fazem para aparecerem nas revistas cor de rosa). O sacríficio, esse está nas classes sociais mais baixas.

Os filmes de John Carpenter, sempre soberam ser duas coisas em simúltaneo: por um lado entertenimento puro e simples; e por outro crítica social e/ou sobre a pressão que o social exerce sobre a psique do Homem. O filme acerca do qual hoje escrevemos é perfeito exemplo disso, e é pena que filmes contemporâneos que cativam a audiência como Hostel, Rec e afins, não sintam a responsabilidade de questionar o espectador acerca do que está a ver, coisa que Carpenter sempre soube fazer.

They Live é um grande filme de cinema fantástico, onde não existe horror, gore e afins, e é cativante do inicio ao fim.

sábado, agosto 09, 2008

Compilação para as Férias

Dia 12 de Agosto de 2008 tem aqui lugar o lançamento da compilação do palhaço, com ilustres artistas que não ousamos aqui mencionar a pedido do dj de serviço. É a compilação para as férias.

sexta-feira, agosto 08, 2008

Obra Prima

Se há um filme definitivamente a não perder este ano é Red Cliff de John Woo. A fome dos palhaços foi saciada e estamos perante o filme da vida de Woo, que sem dúvida irá marcar o cinema asiático para sempre. É um daqueles raros casos em que 70 milhões de dólares se convertem em arte no seu estado puro; Woo dá-nos uma história grandiosa, onde cada personagem é detalhadamente caracterizado, fazendo-nos lembrar os primeiros filmes de Kurosawa.
Red Cliff é o herdeiro moderno de Seven Samurai (Akira Kurosawa), é um filme prodigiosamente bem estruturado, um verdadeiro triunfo para a carreira de Woo, e que demonstra não ser preciso estar nos EUA para ter meios de produção.
A estreia está agendada para Janeiro de 2009 no ocidente. Na ásia a versão asiática foi dividida em duas partes, a primeira já teve honras de estreia e a segunda irá estrear também em Janeiro do próximo ano. Mas atenção as diferenças irão ser de certeza fulcrais, pois a versão ocidental é truncada (2 horas e meia) em oposição ás essenciais 4 horas e meia da versão asiática.
Por isso o palhaço aconselha-vos a tentar deitar as mãos á primeira parte do filme lançado em DVD (e afins) em HK. Aqui é essencial o tempo de duração da obra.

quarta-feira, agosto 06, 2008

Confirmações Oficiais

Está confirmada a aquisição dos direitos de Ghost in the Shell por Steven Spielberg, para rodar a sua versão de carne e osso. Mas a grande surpresa é que está também confirmado a aquisição dos direitos da obra prima Akira. O actor Leonardo Di Caprio assegurou a compra dos direitos da obra de Katsuhiro Otomo, que será adaptada para o público norte americano.
Tanto Akira e Ghost in The Shell são as duas obras primas de referência do Anime.

terça-feira, agosto 05, 2008

Coming Soon

Desta vez viajamos até ao Japão. O filme chama-se K-20: Kaijin Nijû Mensô Den e narra a história de um super-herói que personifica o espírito de Robin Hood. A história passa-se num mundo alternativo, num futuro próximo, onde cerca de 90% do sistema de saúde é controlado pela aristrocacía. O nosso personagem rouba aos ricos para dar aos pobres (familiar?) e tem um passado de acrobata de circo (muito bom!). Ora o rapaz foi acusado e preso injustamente e acaba por fugir da sua cela para tentar encontrar o verdadeiro vilão e limpar a sua honra com a ajuda de uma bela detective que também se encontra na mira do famigerado mau da fita.
Com um argumento destes só se poderá esperar o pior, mas o visual da "coisa" até está bastante interessante. É mais um work in progress a ter em conta.

sábado, agosto 02, 2008

Coming Soon


Neuromancer, de William Gibson, é uma das mais famosas obras de ficção científica e ganhou os três principais prémios do género aquando da sua publicação: Nebula Award, Hugo Award e Philip K. Dick Memorial Award.

O produtor Peter Hoffman decidiu passar ao acto com a adaptação da obra para cinema, depois de um dos seus projectos - The Winter Queen - com realização de Paul Verhoeven, ter sido adiado em virtude da gravidez da atriz Milla Jovovich, protagonista do filme.

Joseph Kahn, realizador de videoclips que teve a sua estreia em cinema com uma bosta (desculpem, mas não há outra maneira de dizer!) chamada Torque (2004), será o realizador de Neuromancer.

Sinceramente! com tanto cineasta brilhante que anda para aí, e que provavelmente venderia a alma ao diabo para rodar o filme, lá houve um espertalhão que entregou a empreitada a um tarefeiro sem provas dadas. William Gibson merecia uma atenção mais cuidada (é só um desabafo!)

quinta-feira, julho 31, 2008

Depois de 2046 e My Blueberry Nights

O tempo e a memória, os amores perdidos e a impossibilidade de reencontrá-los são os temas mais recorrentes nos filmes de Wong Kar-wai, cujas obras In The Mood For Love, 2046 e mesmo My Blueberry Nights têm ilustrado brilhantemente.
No entanto havia um filme ambicioso e esquecido de Kar-wai - “Ashes of Time” - de 1995 um título considerado atípico na obra do autor, em particular por ser uma incursão no universo “wuxia”, o filme de artes marciais.
Depois de ser exibido em Cannes, “Ashes of Time” ficou perdido no tempo e tornou-se uma raridade, curiouso se pensarmos no título do filme. Até então só poderia ser visto em dvd, cuja a imagem e o som era uma verdadeira afronta para o formato. Agora em versão “redux”, “Ashes of Time” teve o seu relançamento anunciado com pompa e circunstância, com direito a exibição especial durante o Festival de Cannes. A Sony Picture Classics já fechou contrato com a Fortissimo Filmes para a distribuição no mercado norte-americano.

Para “Ashes of Time Redux” WKW não rodou novo material, mas remasterizou, restaurou e reeditou o original. A intenção do realizador foi reorganizar a estrutura narrativa, impor mais clareza e formatar uma versão definitiva para posterior lançamento em DVD.
Para os fãs de WKW, acostumados ao universo predominantemente urbano, mesmo que por vezes sujeito a nostalgias, pode surgir estranheza esta sua incursão no tempo imemorial de “Ashes of Time”. Aqui o género é o das fitas de artes marciais, “Ashes of Time” faz parte do esforço de WKW em se adaptar ao modelo industrial do cinema de Hong Kong, calcado na produção de géneros. Como o enfase na complexidade visual que exigiu uma pós-produção mais demorada, WKW aproveitou o tempo para rodar, com leveza e agilidade, In The Mood For Love, o filme que o tornou conhecido no ocidente.

De artes marciais, contudo, não há muito em “Ashes of Time”. As lutas estão lá, coreografadas como é hábito no cinema de HK, mas estas passam por um processo de desconstrução da imagem, que se tornaria daí em diante uma das marcas recorrentes dos filmes de WKW. O gesto é decomposto, desacelerado, até mesmo paralisado, e reacelerado, num esforço de tornar visível o tempo por trás da acção. À margem desses momentos, o realizador tece uma complexa trama de nostalgia e evocações, a partir das figuras dos dois heróis centrais e das mitologias que os acompanham. A sobreposição de tempos, a indeterminação do foco da narrativa, a aparição de personagens em memórias desconectadas, tornam a compreensão do filme bastante complicada.

Red Sonja

O hiperactivo Robert Rodriguez andou em carteira com uma série de projectos bastante curiosos, onde se incluem: o já descartado (uff!) e possivelmente tenebroso remake de Barbarella, o remake de Conan (este sim ainda em negociações), e por último um já confirmado remake de Red Sonja.
O filme original data de 1985 contava então com as participações de Arnol Schwarzeneeger e Brigitte Nielsen nos principais papéis, e estreou no auge do género sword and sorcery na década de 80. A qualidade do filme era e é substancialmente discutível, digamos mesmo que é daqueles que é tão mau que quase que é bom, género também conhecido como guilty pleasure. A nova versão produzida por Rodriguez tem data de estreia para 2009.

segunda-feira, julho 28, 2008

Sky Crawlers

O mestre do cinema nipónico Mamoru Oshii (Ghost in the Shell) está de regresso após alguns anos de ausência. Depois de ter estreado em Cannes, á um par de anos atrás, o seu genial Innocence, Oshii está de volta á animação com este Sky Crawlers. Com uma produção meticulosa dos estúdios I.G. productions, os mesmos que foram responsáveis pela sequência animada de Kill Bill, as imagens do video de promoção não deixam dúvidas da qualidade do trabalho animado.

Para aqueles que desconhecem a obra deste realizador, aconselhamo-vos vivamente passarem os vossos olhos por Ghost in The Shell ou Avalon.

domingo, julho 27, 2008

Segundo Nietzsche

O homem que vê mal vê sempre menos do que aquilo que há para ver; o homem que ouve mal ouve sempre algo mais do que aquilo que há para ouvir. Friedrich Wilhelm Nietzsche, filósofo alemão nascido nos anos 40, teria absolutamente adorado Dark Knight. O filme de Christopher Nolan é uma obra prima, é a obra de referência de 2008, e é o filme que nasceu para acabar com todos os filmes de super-heróis. A partir da data de estreia haverá o antes e o depois de Dark Knight, nenhum outro filme de uma personagem BD alguma vez conseguiu tanto.E se temos que falar no Joker de Heath Ledger, bem então teremos que dizer que é a personificação do mal em estado puro, e um vilão larger than life, perfeito em cada trejeito e em cada silaba proferida.
Victor Hugo, poeta, escritor, dramaturgo e político, disse uma vez que o mal é como as mulas: teimoso e estéril - este é o mal personificado pela personagem de Ledger - pois não existe nada tão raro como um homem inteiramente mau, a não ser talvez um homem inteiramente bom. E esses não têm lugar em Dark Knight.

sexta-feira, julho 25, 2008

Estreia da Semana

Why so serious? A frase que vende o filme no cartaz fará parte da história do cinema para todo o sempre! Porque? Bem, apesar dos palhaços ainda não terem visto o filme, aqui fica um excerto da crítica do senhor Jorge Mourinha para o jornal Público

"Sem medir as palavras: "O Cavaleiro das Trevas" é o apocalipse urbano pós-11 de Setembro, a metrópole sitiada pelos insurgentes, o medo diário do terrorismo vindo de parte nenhuma, metaforizada na cidade a ferro e fogo às mãos de um psicótico imprevisível. A ideia da cidade a ferro e fogo já estava no "reboot" que Nolan fez ao "franchise" do Homem-Morcego em 2005 com "Batman - o Início" - e sempre existiu no universo dos super-heróis - mas em todos os episódios anteriores estava ainda incluida numa dimensão fantasista. Aqui, Nolan depurou a produção cenográfica para instalar o filme numa banal metrópole americana, sem a estilização surreal a que nos habituámos para nos dizer que "isto é só um filme", usando actores sem "imagem de marca" (ou contra as suas imagens de marca) para nos afastar das codificações do filme de super-heróis.
Sim, sabemos que, no papel, isto é apenas mais um filme de superheróis. Sim, sabemos que isto é um filme americano produzido por um grande estúdio. Mas sabemos, também, que o milagre de "O Cavaleiro das Trevas" é cumprir todo esse caderno de encargos e, depois, dar-nos mais do que estaríamos à espera. E, sobretudo, de nos deixar a pensar. Qual foi o último "blockbuster" americano de super-heróis que nos fez isso? (E não vale a pena citar o "Batman" de Burton. É batota.)"

in http://cinecartaz.publico.clix.pt