quarta-feira, setembro 08, 2010

Dracula - Prince of Darkness (1966)

Dracula - Prince of Darkness foi o terceiro filme de série produzido pela Hammer, que totalizou oito filmes.
O filme possui todos os elementos típicos dos melhores e mais interessantes filmes dos anos 60 da Hammer, não faltando os típicos aldeões nada hospitaleiros mas muito supersticiosos, uma floresta negra, um castelo imponente de arquitetura gótica, vitimas mais curiosas que inteligentes e um destemido caçador de vampiros, desta vez na figura de um monge que mais parece um mercenário.
A Dracula - Prince of Darkness também foram atríbuidos vários outros nomes alternativos, como "Disciple of Dracula", "Revenge of Dracula", "The Bloody Scream of Dracula" e "Dracula 3". Este último nome foi criado em função de ser o terceiro filme da série com o vampiro Drácula da Hammer, precedido por Horror of Dracula (1958) e de The Brides of Dracula (1960), e sucedido por mais cinco filmes, Dracula Has Risen From the Grave (1968), Taste the Blood of Dracula (1970), Scars of Dracula (1970), Dracula AD (1972) e The Satanic Rites of Dracula (1973). Em todos os filmes o papel do temível vampiro ficou a cargo do fantástico Christopher Lee, com excepção de The Brides of Dracula, onde o papel ficou a cargo de David Peel.
Um dos aspectos curiosos do filme foi o facto de Cristopher Lee não ter gostado do guião escrito por Jimmy Sangster, a partir de uma história do produtor Anthony Hinds. Tanto que para evitar a possibilidade de uma repercussão insatisfatória do seu personagem no publico em geral, viria a pedir que a sua participação fosse absolutamente muda, ou seja, o vampiro não diz uma única palavra no filme inteiro e somente entra em cena após quase cinquenta minutos de filme. Um outro facto curioso foi que para economizar nos custos de produção, a Hammer filmou o filme em simultaneo com Rasputin: The Mad Monk, utilizando os mesmos cenários e o elenco principal: Christopher Lee, Barbara Shelley, Suzan Farmer e Francis Matthews.

quarta-feira, agosto 25, 2010

The Nanny (1965)

Esta semana continuamos á descoberta dos filmes da Hammer Studios, contidos na Ultimate Collectors Box Edition e diga-se de passagem que dos dois já visionados, nenhum caiu em saco roto. Tivemos o assombroso The Devil Rides Out e a grandiosa surpresa chamada The Nanny.
The Nanny (1965) é uma adaptação do livro escrito por Marryam Modell e foi realizado por Seth Holt. Este foi o primeiro de dois filmes que a fabulosa Bette Davis viria a fazer com a lendário estúdio inglês Hammer, mais conhecido por clássicos de série B. O segundo filme de Bette Davis com o estúdio foi The Anniversary (1968).
Mesmo tendo sido lançado após o sucesso de Hush... Hush... Sweet Charlotte (1964), Bette Davis já estava numa fase de declínio onde os papéis que lhe eram atríbuidos já não eram tão bons e as suas participações, segundo dizem, eram aceites pelo número de cenas em que aparecia e não pela importância da personagem interpretada. Mas mesmo assim, o profissionalismo e a técnica da actriz eram irrepreensíveis e mais que suficientes para elevar a qualidade de qualquer produção desse mesmo período. The Nanny (1965) tinha tudo para ser um filme tipico de série B, mas a representação de Bette Davis, principalmente quando junto com William Dix, transformam as cenas num drama psicológico de uma tensão assoladora.
A história conta que depois de passar dois anos num colégio interno/reformatório devido a um acidente em que supostamente afogou a sua irmã menor na banheira, Joey de 10 anos (William Dix), volta para casa e o que os seus pais, Virginia e Bill querem é o regresso á normalidade no seio familiar. No entanto, pouco tempo depois, suspeitas ressurgem novamente em volta do pequeno Joey, quando a sua mãe é envenenada, mas Joey insiste que teria sido a Ama (Bette Davis) a responsável, uma senhora amável que trabalhara há anos para a família e que teria sido também a Ama da mãe dos menores.
Sem ninguém que acredite nele, Joey vê a sua Ama como outra pessoa, como alguém que ele também acredita ser a responsável pela morte da sua irmã.
A gestão da tensão, imbutida pelo brilhante argumento, é algo de fabuloso e anos de luz á frente do que era feito até então dentro do género e atrevemo-nos mesmo a dizer que mesmo vendo hoje o filme pela primeira vez, 45 anos depois, este continua a ser algo de absolutamente supreendente. Nunca sabemos até ao final se estamos perante ideações paranóides ou ideias persecutórias por parte da criança, ou se na realidade a Ama é o mal personificado.
Enormissimo aplauso em pé para Bette Davis, para um jovem actor de nome William Dix e para o realizador Seth Holt. Imperdível

sexta-feira, agosto 20, 2010

Black Swan (2010)

A tripulação de bordo pede aos passageiros que endireitem as cadeiras, apertem os cintos, recolham os tabuleiros porque a viagem irá ser atribulada, muitos poços de ar, percas de pressão, voos razantes e turbulencia.
O novo filme de Daren Aronofsky estreia em breve e já anda a ser elevado a filme de culto. Descubram-no.

quarta-feira, agosto 18, 2010

The Devil Rides Out (1968)

The Devil Rides Out, também conhecido como The Devil's Bride, foi um dos grandes sucessos dos estúdios Hammer, baseado no best seller de Dennis Wheatley de 1934. O argumento do filme, dirigido pelo mestre Terence Fisher, é uma adaptação bastante fiél ao livro, com as filmagens a terem o seu inicio nos estúdios a 7 de Agosto de 1967. A rodagem do filme durou cerca de um mês e chegou aos EUA com o título "The Devil's Bride" a 18 de dezembro de 1968.
Terence Fisher conseguiu com este seu filme uma fotografia extremamente apurada, uma excelente direcção de arte, uma atenção ao detalhe bastante acima da média do que era então produzido e sobretudo a grande mais valia é sem dúvida o grande Christopher Lee, inclusivé o filme foi feito porque Lee foi o grande impulsionador da idéia de passar para a tela a obra de Dennis Wheatley.
Ainda nos dias de hoje, sempre que Christopher Lee fala sobre o seu periodo na Hammer, considera este filme o seu favorito e declarou por diversas vezes de que gostaria de ver um remake da produção com ele mesmo no papel de um Duc de Richleau (personagem interpretada por Lee no filme), mas mais maduro.

terça-feira, agosto 17, 2010

The Hammer Collection Boxset (1960-1970)

Os estudios Hammer nasceram em 1948 e foram fundados por Will Hammer e Sir John Carreras, dentro da lógica de que os filmes de terror fantástico deveriam ser de entretenimento, contando uma boa história. Esta lógica seria defendida por Carreras e quase que referendada por Hammer. Apesar dos orçamentos baixos, o estúdio lançou filmes dentro dos típicos padrões de Hollywood dos anos 50, mas assumindo uma tradição que vinha do teatro inglês e francês, principalmente com base no Théâtre Grand Guignol, de Paris.
No entanto, viria a ser a televisão quem, indirectamente, faria com que os Hammer Studios tivesse os seus primeiro sucessos. A televisão britanica produziu na década de 50 uma série de ficção-científica chamado The Quatermass Experiment, baseada no personagem Bernard Quatermass, ciêntista que enviara um foguete para o espaço e quando este regressou, trouxe uma forma de vida alienígena que tomou conta do corpo do astronauta enviado para comandar a missão. A Hammer fez um versão cinematográfica da série, The Quatermass Xperiment, em 1955, logo seguido de sequelas: X the Unknown, de 1956; Quatermass II, de 1957. O sucesso destes filmes e dos monstros alienígenas que eles apresentavam estimulou o estúdio a investir no cinema fantástico/horror/sci fi. Um dos acontecimentos que jogaria a favor da explosão da Hammer foi o facto da Universal Pictures estar a abrandar a sua produção de filmes de terror, dando a oportunidade á Hammer em fazer um acordo com o estúdio norte-americano conseguindo os direitos de Frankenstein e Drácula. Para grande surpresa surpresa dos mundo do cinema e da própria Hammer, o filme The Course of Frankenstein (dirigido por Terence Fisher, com guião de Jimmy Sangster e com participações de dois actores até então desconhecidos Peter Cushing e Christopher Lee) tornou-se um inusitado sucesso de bilheterias. Filmado em Technicolor, o filme mostrou o personagem de Mary Shelley como nunca tinha sido visto até então: com cores e bastante violência. Os Est+udios Hammer utilizavam praticamente sempre a mesma equipa técnica e de actores, filmavam vários filmes em simultaneo e de uma destas produções (junto com a Universal, que, além de financiar metade do filme, fazia a distribuição internacional) nasce o filme Horror of Dracula, fazendo um sucesso ainda maior do que seu antecessor e imortalizou Christopher Lee como o segundo grande Drácula do cinema (o primeiro tinha sido o eterno Bela Lugosi). A partir destes dois filmes, a Hammer nunca mais parou de produzir e fazer sucesso. Com histórias simples, aproveitando-se da imagem popular dos personagens de terror, usando habilmente as cores e o sexo (as mulheres eram escolhidas pela sua beleza, sensualidade e seios grandes, sendo que quase sempre eram vestidas com roupas de decotes bastante generosos). Christopher Lee faria várias vezes o personagem Drácula e Peter Cushing seria conhecido como o seu eterno nemesis - Van Helsing.
A Hammer Collection Boxset é uma edição em DVD absolutamente fabulosa. Contém cerca de 21 DVD, nos quais estão armazenados os 21 clássicos dos estúdios Hammer, com uma mão cheia de extras (documentários/trailers/comentários aúdio), fazendo-se menção honrosa ao filme The Nanny, disponível pela primeira vez em formato digital. A box contém: 'Blood From The Mummies Tomb', 'Demons Of The Mind', 'The Devil Rides Out', 'Viking Queen', 'Dracula, Prince Of Darkness', 'Fear In The Night', 'Frankenstein Created Women', 'The Horror Of Frankenstein', 'The Nanny', 'One Million Years BC', 'The Plague Of The Zombies', 'Prehistoric Women', 'Quartermass And The Pit', 'Rasputin The Mad Monk', 'The Reptile', 'The Scars Of Dracula', 'SHE', 'To The Devil A Daughter', 'The Vengeance Of SHE', 'Straight On Till Morning' and 'The Witches'. Absolutamente imperdível.
A primeira crítica de uma série que iremos fazer, será do filme The Devil Rides Out (1968), também conhecido por The Devil's Bride.

quinta-feira, agosto 12, 2010

Christine (1983)

Nasceu em Detroit - esta é talvez a melhor forma de descrever o ínicio de um dos grandes filmes de John Carpenter, adaptado de uma obra de Stephen King. Forjado numa linha de montagem de automóveis. Mas não é um carro qualquer. No interior do seu chassi esconde-se o próprio diabo. Christine - um Playmouth Fury de 1958 -, vermelho e branco, tem um insaciável desejo de vingança, capaz de gelar o sangue a qualquer um e de destruir todo aquele que se mete no seu caminho. Seduz Arnie Cunningham (Keith Gordon ), um rapaz de 17 anos, apaixonado por aquelas linhas estilizadas e curvilíneas, como se de uma mulher se tratasse. O automóvel exige uma devoção absoluta e incondicional, e se alguém tentar intervir, a morte é certa.
O cinema a partir de meados da década de 70 começou a ser invadido com filmes que visavam um filão recém-descoberto que renderia muito dinheiro às produtoras: o público adolescente. Histórias sempre de jovens banais, com problemas "banais" em situações completamente "banais" era o que se tinha de sobra. Esse padrão era quase constante, com pouquíssimas exceções de filmes adolescentes que mantinham um certo rigor tanto no argumento, como na direção.
Christine tem a direção do grande John Carpenter que mais uma vez brilha, ditando um ritmo claustrofóbico e proporcionando uma mão cheia de enquadramentos genias (ah! aquele widescreen fabuloso)
Para muitas pessoas na faixa dos trinta anos este é mais um filme de referência, simbolizando a sua própria adolescência e uma geração, mas este é também uma das poucas adaptações da obra de S. King (contam-se pelos dedos de uma mão) que realmente funciona de forma soberba.
É um filme para recordar e para descobrir sem restrições algumas.

terça-feira, julho 27, 2010

Galaxy Of Terror (1981)

Se é para escrever de cinema Sci-Fi trash de "boa qualidade" não vamos mais longe, porque estamos a falar de Galaxy of Terror produzido pelo grande Roger Corman.Galaxy of Terror (1981) é uma produção de Roger Corman que tentou na época apanhar o comboio do filme Alien (1979), de Ridley Scott. Também há referências a diversos outros filmes do género ao longo dos seus oitenta-divertidos gorentos- minutos, com bons momentos de gore do melhor que os Z-Movies nos podem dar. A película foi dirigida por D. B. Clark, senhor que hoje faz parte da equipa de produção de um senhor chamado James Cameron (Avatar).
A História é passada num futuro distante, nas profundezas insólitas do espaço sideral, em que a nave espacial Quest parte em missão de resgate de sobreviventes de uma outra nave, a Remus (epa! isto soa-nos a...Alien), que ficara encalhada no sinistro planeta Morganthus, mas eis que qual não é o azar dos nossos protagonistas quando dão de caras com uma orde de alienígenas áv
idos de sangue do pior, que por sua vez habitam uma espécie de pirâmide gigante no meio do planeta (muito bom!). Os nossos protagonistas, num acesso de parvoice e estúpidez (até parece que não vêm filmes!), decidem ficar e investigar o planeta e seus "alegres" habitantes. Roger Corman presenteia-nos com outra mistura bizarra entre ficção científica e terror, que ficou também conhecida como Mindwarp: an Infinity of Terror ou Planet of Horrors (brutal!). Esta modesta fita apresenta alguns dos cenários campy mais bizarros já vistos, com uma profusão de cores de fazer provocar convolsões em qualquer epilético e misturando-se com uma fotografia meio obscura, provocando um contraste por vezes bastante...bizarro!O inicio do filme tenta criar uma atmosfera meio mística que acaba por perder toda a importância no decorrer da história, com a "gorisse" a entrar sempre a abrir, sem dó nem piedade. A estética campy do filme faz-nos lembrar vagamente O Planeta dos Vampiros (1965), fantástica película de Mario Bava, com referências a outro clássico absoluto dos anos 50: Planeta Proibido (1956), de Fred M. Wilcox. O elenco é uma sucessão de rostos desconhecidos, exceto um: Robert Englund, que alguns anos mais tarde ficaria famoso ao encarnar Freddy Krueger.
Para ajudar á festa a Shout! Factory lançou uma edição em Blue-Ray do filme pejadíssima de extras, como se tivessemos perante o Senhor dos Aneís, vá-se lá saber porquê.
Extras:
• Commentary track with actress Taaffe O'Connell, Make-up artists Allan Apone, Alec Gillis and production assistant David DeCoteau
• Tales From the Lumber Yard: The Making of Galaxy of Terror (1:02:54 in HD!)• New Worlds: Producer Roger Corman, screenwriter Marc Siegler and director Bruce D. Clark discuss the origins of the film
• The Crew Of The Quest: Actors Robert Englund, Sid Haig, Taaffe O Connell and Grace Zabriskie discuss their experiences as crew members of the Quest
• Planet Of Horrors: A detailed look into the creation of the memorable sets of the film and alien landscapes • Future King: Memories of co-production designer (and future visionary filmmaker) James Cameron from members of the cast and crew
• Old School: A journey into the complicated mechanical and makeup effects with artists Allan A. Apone, Douglas J. White, Alec Gillis and others
• Launch Sequence: Co-editor R.J. Kizer walks us through postproduction and a profile on composer Barry Schrader
• Theatrical Trailers
• Extensive Photo Galleries Including Posters, Production Sketches And Designs
• Theatrical Trailer With Commentary From Writer/Director Joel Olsen, Courtesy Of Trailersfromhell.com
• Script in PDF format
• Notes inside case from Jovanka Vuckovic
este texto cagou no acordo ortográfico

segunda-feira, julho 26, 2010

In The Mood For Love (2000)

Na ausência de um novo grande filme de Wong Kar-Wai? Escrevemos acerca do irrepreensível e perfeito In The Mood For Love (2000).
O realizador Wong Kar-Wai estabeleceu-se como um cineasta autor. Através da cor e da luminosidade constrói toda uma narrativa baseada nos simbolismos que daí advêm criando o seu próprio estilo. Cada cena é meticulosamente ensaiada e posteriormente filmada de forma a obter exactamente aquilo que visualmente pretende. É um daqueles cineastas perfeccionistas que assumem o cinema como forma de arte, mas que paradoxalmente dá aos actores uma grande margem de manobra ao improviso.
Baseado nesta premissa, poderia ser apenas mais um filme romântico. No entanto, as interpretações, as situações vividas e os pequenos detalhes desenrolam a narrativa duma forma única e visualmente cativante. Wong Kar-Wai cria um mundo visual onde cada frame corresponde a uma fotografia de uma beleza rara. É um filme que vive sobretudo da insinuação em detrimento da concretização. Há um enorme amor entre os personagens principais, Lin e Chow, fortíssimo mesmo, mas em última análise impossível de concretizar.

As performances dos dois actores são sublimes, sendo capazes de transmitir uma sensualidade e desejo quase cerebrais, fruto de uma relação platónica, baseada na sugestão. Apesar dos protagonistas falarem muito pouco em cada cena, conseguem transmitir ao espectador a crescente paixão e emoção entre eles, cada vez que aparecem juntos no écrân.
A estética do filme é desenvolvida através do uso extremo da luz e cor, tendo, portanto, a música um papel preponderante, na criação do ambiente. Com poucos diálogos e uma montagem quase marginal, Wong Kar-Wai repete alguns temas musicais, em determinadas cenas, para enfatizar o estado emocional dos protagonistas e suportar a bela fotografia.
Realizado a partir de um argumento quase inexistente e privilegiando a improvisação, “In the mood for love” é considerado por muitos como a obra-prima do realizador de Hong-Kong. Poderá, no entanto, ser um filme de difícil visualização, uma vez que é único na abordagem artística que faz ao género romance, tantas vezes destruído pelos clichés lamechas dos homónimos americanos do género. Para ser visto com disposição e atenção.

The Ghost Writer (2010)

Apostamos que estava tudo á espera da crítica a Inception de Chris Nolan? Pois bem, não iremos tecer nenhum ensaio acerca do filme de Christopher Nolan, mas simplesmente escrever: "Obra Prima" e sim "é substâncialmente um degrau acima de Dark Knight". É simplesmente um filme...não! É simplesmente "O" filme, do qual saimos de boca aberta feitos parvos e do qual seria absurdo escrever. Como é que se escreve sobre algo "indescritivel"? A resposta é nada escrever e simplesmente pedir que o vão ver.
Depois deste descargo de consciência, vamos ao filme que nos trouxe aqui hoje. Ghost Writer ou o Escritor Fantasma, como preferirem, é o último filme de Roman Polanski e caros leitores é um regresso em cheio para o realizador.
Numa era em que somos constantemente bombardeados com os efeitos especiais de última geração, com a moda do 3D (mas afinal vamos ao cinema para ver cinema ou para ver - "olhem o que conseguimos fazer com as nossas camaras xpto...o filme é uma bosta, mas tem grandes Fx e 3D"?) e com todos os super-herois da banda desenhada a ganharem vida, inclusivé aqueles que estavam no fundo do baú (Quanto mais a Marvel poderá raspar o fundo ao tacho?); eis que nos chega um filme que não tem nada disto. Em Ghost Writer não há cá 3D, nem efeitos digitais de encher o olho, mas sim um elenco de bons actores de fazer inveja á maior parte dos blockbusters de verão.
Ghost Writer não é só o regresso de Polanski ao thriller, mas sim um grande grande grande filme. É um suspense político recheado de traições e mistério. Ewan McGregor é o personagem título, contractado para continuar a escrever as memórias de Adam Lang (Pierce Brosnan), um ex primeiro ministro britânico, após a misteriosa morte do seu outro escritor fantasma. Quando o político é acusado do envolvimento com crimes de guerra, o trabalho, que já era perigoso, passa a tomar enormes e perigosas proporções, a ponto de colocar a vida de ambos em risco.
Se tivessemos de dar nota 10 a algum filme esta semana, esse seria Ghost Writer. Já Inception de Chris Nolan iria para uma nota 11 de 0-10 (exacto!).
Esta crítica foi escrita a cagar no acordo ortográfico

quinta-feira, julho 22, 2010

Seir presents The Mute Orchestra (2010)

O novo album do nosso artista electrónico de serviço. É só clicar na imagem.

terça-feira, julho 20, 2010

The A Team (2010)

Depois de algumas semanas de iato e sejamos honestos, também alguma falta de tempo para escrevermos sobre cinema, eis que lá vimos qualquer coisa que nos deu vontade de escrever.
The A Team, Soldados da Fortuna para a geração que se recorda da série de TV, é o novo filme de Joe Carnahan, responsável pelo "Grande" Narc (2002) e pelo treslocado Smokin' Aces (2006) e é a adaptação para a grande tela da já referida série de TV.
As críticas são muitas, algumas positivas outras tantas acentuadamente negativas, mas vamos por pontos: 1º estamos perante o típico blockbuster de verão, sem grandes pretensões a não ser proporcionar 1h40m de pura diversão sem deixar grande espaço para reflexões; 2º é um filme "absolutamente" alucinado, não tão genial como Smokin' Aces, mas com uma grande dose de humor de diálogo e físico; 3º as sequências de acção não são de todo para levar a sério e funcionam assumidamente como "gozo" puro, onde é evidente que algúem se divertiu imenso a rodar o filme; 4º o casting está na mouche numa altura em que raros são os casos em que os estúdios apostam em grandes vedetas, salvando a excepção do sr. Liam Neeson no papel de Hannibal; 5º o argumento vai de "A" a "B" sem grandes surpresas, mas com muita maluqueira e parvalheira pelo meio...e sim não é Shakespeare...se quisermos uma comparação é a antítese do novo filme de Polanski; 6º as guide lines da história original e dos seus personagens está lá, desde o medo de andar de avião de BA, apesar de que esperavamos uma maior dose de "loucura" na personagem de Murdock; 7º O filme conta a história de como os nossos heróis se tornaram as personagens que conhecemos e nos recordamos da série original.
Sem grande floriados e sem uma grande cereja em cima do bolo, estamos perante um eficaz filme de verão, que só pretende ser isso mesmo, um "deixem o cérebro á porta e venham divertir-se connosco" e é isso que se exige de um filme de verão. Sem grandes instrospecções, algo que muito provavelmente esta semana não se irá sentir quando virmos o muito aguardado e filme de culto automático Inception de Christopher Nolan.

quarta-feira, junho 09, 2010

True legend (2010)

Chama-se True legend e é o novo opus do cinema de acção de hong kong, na sua vertente wuxia, pela mão do conceituado coreógrafo e realizador Woo-ping Yuen. Para quem tem estado nos últimos 10 anos em estado comatoso, Woo Ping é o senhor de idade, com passado em ballet clássico e artes marcias, sendo o crânio responsável pelo design das cenas de acção da trilogia Matrix.
True legend não é a maior obra prima do mundo, está longe de ser um grande filme, mas o objectivo não é esse, mas sim um pavonear de estilo e coreografias anti-gravitacionais absolutamente fabulosas, como só o mestre sabe encenar. E se há uma coisa que Ping sabe fazer na perfeição é o bailado mortal dos corpos, sublime, cheio de pormenores, com um sentido de ritmo impar, de nos fazer cortar a respiração e de ficarmos agarrados ao sofá por cada levitação que vemos no ecrã.
A obra de Ping atrás das câmaras, mais precisamente na cadeira do realizador, não é Shakespeare, mas a arte que imprime nos movimentos e na autêntica dança que imprime aos corpos é sem dúvida um trabalho impar no mundo do cinema só comparada a outro Woo de nome John.
Woo-ping Yuen usa a artilharia toda neste seu filme, contando com um bom naipe de actores, de onde se destaca a fabulosa Michelle Yeoh, há muito ausente das telas. Recomenda-se para os amantes do desafio á gravidade.

quinta-feira, maio 27, 2010

Jamie Lidell - Compass (2010)

Conhcemos Jamie Lidell há já bastante tempo, desde os primordios em que fazia techno e electrónica pura e dura com projectos como Supercollider, mas eis que do nada, sem esperar grande novidade, Jamie lança o primeiro album a solo, estavamos então em 2006. E que estrondo! Esperavamos mais do mesmo pum-se-pum, mas puxaram-nos o tapete e caimos ao chão desamparados quando nos apercebemos que estavamos perante um dos mais originais e inventivos albuns de soul e funk.
Damos um salto de cinco anos, com um segundo album menos interessante pelo meio e eis que nos chega o terceiro album de Lidell; e se á terceira vez costuma ser de vez, JL acertou em cheio. Se tivessemos que escolher dois discos para levar para uma ilha deserta, seriam "Bodily Functions" de Matthew Herbert e este "Compass" de Jamie Lidell.

A nova soul não é Byonce, Rihanna's, Usher e outros tantos iguais. A nova soul é Compass, o novo funk é Compass, é um dos discos mais surpreendentes dos últimos 10 anos, não só ao nível da voz inconfundivel de JL, que tem a voz branca mais preta do mundo, mas também ao nível de produção. E na produção caiu-nos tudo...Esqueçam tudo o que ouviram até hoje, deitem as regras pela janela fora, porque a cada audição vão descobrir coisas novas. É um disco de um músico em estado de graça e em estado de arte, só é pena que ainda não esteja em nenhum cartaz de verão ou com concertos agendados para Portugal.
Deixamos um video de ensaio de uma actuação ao vivo e garantimo-vos que irão ficar de boca aberta.

quarta-feira, maio 26, 2010

Lili's Soulphiction (2010)

Esta foi talvez a faixa mais complicada alguma vez feita pelo nosso artista electrónico de serviço. É uma harmoniosa caldeirada dos mais diversos estilos, que vão desde a soul, rn'b, house, tech-house, minimal, etc. Tudo! Sintetiza tudo o que poderão ouvir no album. Para ouvirem, já sabem, basta clicar na foto.
A próxima aventura, segundo nos consta, será a última música a ser postada aqui antes do post do disco, anda já com o título provisório de "Skin" e em três palavras define-se: breakbeat, jazz, soul, rn'b e...rock progressivo. Exacto!

segunda-feira, maio 24, 2010

Coming Soon

Com a missão incunbida de regressar ás origens, inspirado pelo funk, soul, house, breakbeat, rn'b, hip hop, hip house e afins, está para breve a nova incursão musical do nosso artista electrónico de serviço. Até lá fiquem com o myspace.

segunda-feira, maio 17, 2010

Detective Dee and the Mystery of the Phantom Flame (2010)

Detective Dee and the Mystery of the Phantom Flame é "O" filme mais badalada no continente asiático este ano. Ainda em fase de pós produção, este é sem dúvida o regresso em grande para Tsui Hark, e o filme asiático a ter em conta este ano.

quinta-feira, maio 13, 2010

Higher Learning (1995)

John Singleton foi o nome a reter no inicio dos anos 90, com um pequeno grande filme chamado Boyz in the Hood, o qual foi nomeado para o Oscar de melhor realizador em 1991. O realizador renovou e ressuscitou o cinema negro, que até á data se circunscrevia a dois géneros: o blackxploitation nos anos 70 e as comédias no final dos anos 80 com Eddie Murphy's e outros tantos. Com Boyz in the Hood, Singleton apresenta uma abordagem aos problemas sociais dos afro-americanos da classe média-baixa, fazendo um retrato bastante realista do que era viver nos subúrbios de L.A., contanto a história de um pai que tenta dar a melhor educação ao filho no meio de um bairro problemático controlado por gangs.
Cerca de quatro anos depois, com um par de filmes desinspirados pelo meio, Singleton volta á carga, desta feita com Higher Learning; a acção passa-se na Universidade de Columbus em Nova Iorque, e narra o dia-a-dia de três protagonistas, três caloiros: Malik Williams (um atleta negro, que quer fazer o que acha ser correcto para se afirmar como cidadão num país que considera racista), Kristen Connor (a típica girl next door provinda do interior americano) e Remy (com dificuldades em se relacionar com os outros e que acaba por se envolver com um grupo neo-nazi). Singleton adopta aqui uma postura biográfica, procurou retratar a sua época universitária (em UCLA), os conflictos raciais entre os alunos, a dificuldade de se relacionar com os outros, etc. E conduz um enredo com mestria, deixando tudo acontecer a seu tempo.
Não estamos perante um filme panfletário, como muitos afirmam, mas sim um retrato da juventude americana, como um todo, sem puxar para o lado dos negros ou dos brancos, dos heterossexuais ou dos homossexuais, das mulheres ou dos homens. Mostra a ignorância de ambos os lados dessa suposta “guerra racial e ideológica” e demonstrando que ambas as partes parecem não saber contra o que lutam.
Não estamos perante uma obra prima, nessa perspectiva Boyz in the Hood conseguiu ir muito mais longe, mas estamos sim perante um filme feito de forma extremamente competente, com algumas boas interpretações, uma história bem contada e com um naipe de actores que mais tarde (hoje!) são sobejamente conhecidos e que estariam em inicio de carreira em Higher Learning. Recomenda-se.